Pelo menos 130 mortos, sendo que mais de 100 são crianças, e 122 feridos é o balanço de um ataque talibã a uma escola militar situada em Peshawar, no Paquistão, feito pelo Governo daquele país cerca das 09:30. O ataque de um comando talibã a uma escola pública militar em Peshawar, no noroeste do Paquistão, terminou e todos os seis atacantes foram mortos, anunciou a polícia.

«O número ainda pode aumentar», afirmou Bahramand Khan, diretor de informação do governo, à Reuters.

Segundo a Reuters, pelo menos seis homens armados mativeram reféns cerca de 500 estudantes e professores na escola militar. De acordo com jornalistas no local, os sequestradores e os militares que cercaram a escola protagonizam uma intensa troca de tiros. As últimas informações dão conta de que as forças especiais conseguiram resgatar duas crianças e dois funcionários da escola.

O ataque suicida, levado a cabo hoje de manhã numa escola onde se encontravam cerca de 500 pessoas - entre alunos e professores -, começou com o disparo de vários tiros por um grupo de seis homens vestidos com uniformes militares, que entrou na escola cerca das 08:00 (hora de Lisboa).

A autoria do ataque foi reivindicada pelo Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), movimento dos talibãs paquistaneses que lidera, desde 2007, uma sangrenta guerra contra o Governo de Islamabad.

De acordo com as agências internacionais, o grupo de talibãs fez centenas de reféns, estando o edifício já cercado pelo exército paquistanês e por diversos veículos de emergência e helicópteros.

PM indiano critica «cobarde ataque terrorista»

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, criticou o «cobarde ataque terrorista» realizado por um comando talibã contra uma escola no Paquistão que causou pelo menos 130 mortos, na maioria estudantes.

«Condeno firmemente o cobarde ataque terrorista numa escola em Peshawar», declarou o chefe do executivo indiano na rede social de mensagens curtas Twitter.

«É um ato insensato de uma brutalidade inqualificável que custou a vida aos mais inocentes dos seres humanos, crianças na sua escola» disse, adiantando: »Os meus pensamentos estão com aqueles que perderam hoje os seus entes queridos».

Ataque pretendeu partilhar sofrimento

Os talibãs paquistaneses disseram ter atacado a escola para filhos de militares em Peshawar para que o exército sentisse «o sofrimento de ver um ente querido morto» como os seus combatentes sentem.

O Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP) declarou ter realizado o ataque, com um balanço de 130 mortos, em represália pela operação militar «Zarb-e-Azb» lançada em junho e ainda em curso contra os seus esconderijos e os dos seus aliados da Al-Qaida no Waziristão do Norte, zona tribal no noroeste junto à fronteira afegã.

O TTP, que junta várias fações islamitas armadas e foi criado em 2007, declarou a “guerra santa” ao governo e ao exército do Paquistão e tinha prometido uma resposta dura à operação que já matou mais de 1.600 combatentes rebeldes, segundo os militares.

«Os caças do exército bombardeiam as nossas praças, mulheres e filhos e milhares dos nossos combatentes, membros das suas famílias e próximos foram detidos. Pedimos uma e outra vez que acabassem com isso», declarou à agência France Presse o porta-voz do TTP, Muhammad Khurasani.

Face à intransigência do exército, os talibãs «foram forçados» a lançar o ataque, afirmou num contacto telefónico.

«Fizemo-lo depois de termos sido informados de que os filhos de vários altos responsáveis do exército estudam na escola», adiantou.

«Quisemos fazê-los viver o sofrimento, a que ponto é terrível ver um ente querido ser morto. As suas famílias também devem chorar os seus mortos como nós o fizemos», disse Khurasani.

O TTP disse ainda ter raptado pessoas durante o ataque e reiterou o seu apelo para que terminem as operações militares no Waziristão e na zona tribal de Khyber.