A família de um paquistanês de 44 anos condenado à morte em 2009 por homicídio pediu ao presidente do país que perdoe o seu crime, devido ao sofrimento que o homem já passou na prisão.

Abdul Basit foi condenado pelo assassinato de outro homem, e desde que foi encarcerado teve uma série de problemas de saúde que o tornaram paraplégico. Basit contraiu tuberculose e meningite na prisão de Faisalabad, e acabou por perder o uso dos membros.

O homem foi condenado à morte por enforcamento, mas a lei paquistanesa determina que o preso seja capaz de andar pelo “próprio pé” até ao cadafalso. Por este motivo, a execução de Basit já foi adiada três vezes.

A família pede clemência às autoridades paquistanesas, alegando que a vida de Basit já é um “inferno”. A mãe do homem de 44 anos disse, ao The Independent, que o seu filho tem vivido em condições miseráveis na prisão desde que perdeu o uso dos membros, estando permanentemente deitado no chão da cela, dependente de terceiros para cuidar da higiene.

O meu filho tem vivido em condições piores que o inferno desde que ficou paralisado. A sua vida tornou-se um castigo maior que a morte”, disse Nurat Parveen.

A execução de Basit tinha sido cancelada por decreto presidencial, que declarava que o homem não podia ser morto devido à sua condição física. A preocupação da família voltou, agora que o decreto expirou e a qualquer momento pode ser emitido um novo pedido para a conclusão da sentença de Basit.

Estamos com medo, o que vai acontecer agora que [o decreto] expirou? Quando pensamos nisso, damos connosco num limbo e não sabemos o que o governo vai fazer com o meu filho”, continuou Parveen.

“Imploro ao presidente, ao primeiro-ministro e às [restantes autoridades], por favor tenham piedade para com o meu filho. Ele já sofreu muito, já está metade morto. O que vão alcançar ao executar um paraplégico, um homem paralisado que já vai ficar toda a vida na prisão? O Basit merece piedade”, acrescentou.

Também a esposa do homem, Musarat Bibi, pede que Basit não seja executado, não só pelo condenado, mas pelos seus filhos.

Toda a família sofre com isto, especialmente os meus filhos. Eles não visitam o pai há anos, já que ele não quer ser visto deitado no chão da prisão. (…) A presença do pai significa muito para os filhos. A sua execução, não vai apenas terminar com a vida dele, vai matar os seus filhos, a mulher e a família”, disse Bibi ao Independent.