«Estou com o coração partido»

«Condeno estes atos atrozes e cobardes»


Declarações da Nobel da Paz 2014, Malala Yousafzai - também ela vítima aos 14 anos de um ataque por defender o direito à educação e que agora, com 17, vive em Inglaterra – em reação ao ataque a uma escola em Peshawar, no Paquistão.

O ataque vitimou 141 pessoas, 132 das quais crianças. A escola acolhia filhos de militares. Este é o mais sangrento ataque terrorista da história do Paquistão.

O porta-voz do exército paquistanês, general Asim Bajwa, disse ainda, numa conferência de imprensa, que 124 pessoas, entre as quais 121 crianças, ficaram feridas no ataque que durou mais de seis horas e que terminou com a morte dos seis elementos do comando talibã.

A índia, país que vive um conflito com o Paquistão, também se uniu na dor ao Paquistão. O primeiro-ministro indiano pediu às escolas dois minutos de silêncio em homenagem às vítimas, bem como ofereceu o seu apoio ao governo paquistanês.
 
O pior atentado até agora tinha provocado 139 mortos em Carachi (sul) em 2007, aquando do regresso ao país da antiga primeira-ministra Benazir Bhutto.

A 9 de outubro de 2012, os talibãs intercetaram o transporte escolar de Malala, em Swat (noroeste), e deixaram a adolescente ferida, com um bala na cabeça.

O Movimento dos Talibãs do Paquistão, ou Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), que reivindicou o ataque à escola em Peshawar, é o maior grupo extremista do país e o mesmo que tentou assassinar a jovem Malala Yousafzai.

Formado em 2007, o movimento reúne uma série de grupos extremistas das zonas tribais do noroeste do Paquistão, junto à fronteira com o Afeganistão, e trava uma «guerra santa» contra o governo de Islamabad pela aliança que forjou com os Estados Unidos para combater o terrorismo na região.

Os talibãs declararam que o massacre foi uma retaliação pela vasta operação militar em curso desde junho naquelas regiões, refúgio principal dos grupos extremistas desde o fim do regime talibã do Afeganistão, em 2001.