O ICIJ - Consórcio internacional de Jornalistas de Investigação informou esta terça-feira, através de um comunicado, que parte da informação constante dos "Papéis do Panamá" será tornada pública no próximo dia 9 de maio. Qualquer pessoa, em qualquer ponto do Mundo poderá aceder a parte do conteúdo da investigação. Em Portugal, o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação tem como parceiros o semanário Expresso e a TVI.

Leia aqui o comunicado na íntegra:

O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) vai abrir ao público, em 9 de maio, uma base de dados pesquisável com informação sobre mais de 200 mil entidades sedeadas em paraísos fiscais que fazem parte da investigação dos Papéis do Panamá.
A base de dados será, provavelmente, a maior divulgação alguma vez feita de companhias “offshore” e das pessoas que estão por detrás delas.

 

A informação vem do escritório panamiano de advogados Mossack Fonseca, um dos principais atores no mundo “offshore”, e inclui informação sobre empresas, “trusts”, fundações e fundos incorporados em 21 paraísos fiscais, de Hong Kong ao Nevada, nos Estados Unidos. Essa informação diz respeito a pessoas de mais de 200 países e territórios.

 

A partir das 17h00 do dia 9 de maio (hora de Portugal Continental), os utilizadores poderão pesquisar a informação e visualizar as redes que envolvem milhares de entidades “offshore”, incluindo, quando possível, os seus verdadeiros proprietários. A base de dados interativa também incluirá informação sobre mais 100 mil companhias que fizeram parte da investigação do ICIJ, em 2013, sobre os “'Offshore' Leaks”.

 

Muito embora a base de dados abra um mundo que nunca foi revelado numa escala tão grande, a aplicação não fará um despejo indiscriminado de informação – será uma divulgação cuidadosa de informação corporativa básica, que deve ser pública e transparente. O ICIJ não divulgará dados pessoais em massa; a base da dados não incluirá registos de contas bancárias e transações financeiras, mensagens de correio eletrónico e outra correspondência, passaportes e números de telefone. Esta informação selecionada e limitada irá ser publicada no interesse público.

 

Entretanto, o ICIJ e os seus parceiros na comunicação social, incluindo novos órgãos em países em que o consórcio ainda não tinha trabalhado, continuará a investigar e a publicar artigos nas próximas semanas e meses.

 

A investigação dos Papéis do Panamá revelou transações secretas em “offshores” realizadas por líderes mundiais e outros políticos, bem como por criminosos e celebridades. Expôs o papel dos grandes bancos na facilitação do secretismo e da evasão fiscal, e mostrou como empresas e indivíduos que estão na “lista negra”, nos Estados Unidos e noutros lugares, por causa das suas ligações ao terrorismo, tráfico de drogas e outros crimes, conseguem fazer os seus negócios através de jurisdições “offshore”.

 

Desde o seu início, a investigação dos Papéis do Panamá provocou demissões de titulares de cargos importantes, incluindo a do Primeiro-Ministro da Islândia; levou ao aparecimento de inquéritos oficiais em vários países; pôs líderes mundiais e outros políticos, como o Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, sob pressão para que expliquem as suas ligações a empresas “offshore”. Provocou o aparecimento de um novo sentido de urgência entre legisladores e reguladores para que fechem lacunas e tornem pública a informação sobre os proprietários das companhias de fachada.

 

Nos Estados Unidos, onde vários estados servem como paraísos fiscais para pessoas de todo o mundo, o presidente Barack Obama comentou as revelações dos Papéis do Panamá e disse que a evasão fiscal global facilitada por jurisdições sigilosas é “um problema enorme”. O presidente acrescentou que “muito disso é legal, mas é aí que está o problema. Não é que eles estejam a violar as leis, mas as leis é que são muito mal feitas”.

 

A base de dados será publicada em https://offshoreleaks.icij.org/ no dia 9 de maio, às 17h00 (hora de Portugal Continental).