Por: tvi24 / PP | 9- 1- 2012 13: 33
O papa Bento XVI apelou esta segunda-feira para a abertura de «um diálogo frutuoso entre os políticos» da Síria, «favorecido
pela presença de observadores independentes».
Bento XVI também renovou o apelo feito no Natal para um «rápido fim
da efusão de sangue» na Síria.
O papa falava na presença de 160 diplomatas, incluindo 115 chefes de missões acreditadas
no Vaticano.
«Convido a comunidade internacional a dialogar com os actores do processo em curso, no respeito pelos
povos e estando consciente que a construção de sociedades estáveis e reconciliadas, que se opõem a qualquer discriminação
injusta, em particular de ordem religiosa, constitui um horizonte mais vasto e mais longínquo que o das eleições», afirmou
Bento XVI, que enquadrou os acontecimentos na Síria no âmbito da «primavera árabe».
«Sinto uma grande preocupação
pelas populações dos países nos quais continuam a existir tensões e violência», adiantou Bento XVI, que apenas citou a Síria.
«É difícil actualmente traçar um balanço definitivo dos acontecimentos recentes e de compreender plenamente as consequências
destes para os equilíbrios da região. O optimismo inicial deu lugar ao reconhecimento das dificuldades deste momento de transição
e de mudança», sublinhou.
»O respeito pelas pessoas deve estar no centro das instituições e das leis, deve conduzir
ao fim de qualquer violência e prevenir o risco que a atenção devida aos pedidos dos cidadãos e a necessária solidariedade
social se transformem em simples instrumentos para manter ou conquistar o poder», afirmou.
O Vaticano está preocupado
com a situação das minorias cristãs do Oriente, que são tentadas a fugir dos países onde estavam desde sempre devido a ameaças
de movimentos islamitas radicais.
«Em numerosos países», os cristãos são «privados dos direitos fundamentais e postos
à margem da vida pública», afirmou Bento XVI, recordando a figura do antigo ministro das minorias paquistanês, o católico
Shahbaz Bhatti, assassinado em Março do ano passado num atentado atribuído a islamitas.
Em relação a África, Bento
XVI lamentou que o objectivo da reconciliação e do respeito de «todas as etnias e religiões» seja ainda longínquo, designadamente
na Nigéria, na Costa do Marfim, na região dos Grandes Lagos e no Corno de África.
Em África, «é essencial que a
colaboração entre as comunidades cristãs e os governos ajude a percorrer o caminho da justiça, da paz e da reconciliação,
onde os membros de todas as etnias e de todas as religiões sejam respeitados», disse.
Em relação à Terra Santa,
o papa apelou a responsáveis palestinianos e israelitas a «adoptar decisões corajosas e clarividentes a favor da paz» e felicitou-se
por «na sequência de uma iniciativa do Reino da Jordânia, o diálogo ter sido retomado».
Durante a intervenção, o
papa também condenou as políticas seguidas em determinados países, que pondo em questão a família tradicional baseada na união
entre um homem e uma mulher, «representam uma ameaça ao futuro mesmo da humanidade».
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