O Papa Francisco visita a ilha grega de Lesbos a 16 de abril, juntamente com o patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu, estando previstos encontros com refugiados, anunciou o Vaticano, nesta quinta-feira.

A viagem do Papa realiza-se na sequência do convite de Bartolomeu e do Presidente da Grécia, Prokopis Pavlopoulos.

Na ilha, Francisco, Bartolomeu e o arcebispo ortodoxo de Atenas, Jerónimo II, vão encontrar-se com refugiados, na maioria sírios, que chegaram a Lesbos depois de terem atravessado o mar Egeu para fugir da guerra.

Também responsáveis de seis países europeus, incluindo Portugal, visitam a Grécia e a Turquia a partir de sexta-feira para avaliar a aplicação do acordo UE-Turquia e manifestar solidariedade à Grécia, informou hoje a secretária de Estado dos Assuntos Europeus.

“As principais preocupações neste momento são ver no terreno como é que estão a funcionar as diferentes decisões e os diferentes mecanismos que foram criados recentemente no âmbito da União Europeia (UE)”, um dos quais é o acordo com Turquia sobre refugiados, disse Margarida Marques à agência Lusa.

“Um segundo objetivo da visita é expressar solidariedade com a Grécia que é um país que tem estado sob uma pressão imensa com os milhares de refugiados que tem recebido”, acrescentou.

Os ministros e secretários de Estado de Portugal, Eslováquia, França, Holanda, Itália e Malta visitam Atenas e Istambul entre sexta-feira e domingo, uma viagem organizada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros holandês, Bert Koenders, cujo país exerce a presidência do conselho da UE.

Em Atenas, os responsáveis vão reunir-se com o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, e com os ministros responsáveis pela gestão da crise migratória - Negócios Estrangeiros, Defesa, Imigração, Proteção Civil -, assim como com elementos da agência europeia de fronteiras, Frontex, do gabinete europeu de asilo (EASO) e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Os ministros e secretários de Estado visitam no sábado dois campos de refugiados no porto de Pireu, nos arredores da capital grega, seguindo depois para a Turquia, onde se reúnem com o chefe da diplomacia, Mevlut Cavusoglu, e com elementos do ACNUR, da Amnistia Internacional e de organização não-governamentais que prestam assistência aos refugiados.

Nos termos do acordo UE-Turquia, os primeiros reenvios para a Turquia de migrantes chegados irregularmente à Grécia realizaram-se na segunda-feira, mas Atenas anunciou na quarta-feira uma pausa no processo.

O mecanismo é criticado por várias organizações, entre as quais o ACNUR, que recusou colaborar na identificação dos candidatos a asilo porque o processo exige a detenção dos migrantes nos campos de acolhimento.

“Claro que somos sensíveis” às reservas ao acordo UE-Turquia, disse a secretária de Estado portuguesa. “Daí também a necessidade de ir ver no terreno. Nós, que tomamos decisões, podermos ver como elas são implementadas, se funcionam, se são suficientes e como é que podem ser mais eficazes”, acrescentou.