As três vítimas de abusos do padre chileno Fernando Karadima pediram hoje ao papa Francisco que transforme o seu pedido de perdão em “ações exemplares”.

Juan Carlos Cruz, James Hamilton e José Andrés Murillo, que sofreram abusos quando eram crianças, reuniram-se hoje com o papa e em comunicado conjunto explicaram que durante o encontro que mantiveram com o pontífice este foi "muito atencioso e compreensivo".

Para as três vítimas, são agora necessárias "ações", porque, "caso contrário, tudo será uma letra morta".

No comunicado, as três vítimas reconheceram que o papa pediu perdão "em seu próprio nome e em nome da Igreja universal".

"Falámos de uma forma respeitosa e franca com o papa. Abordámos questões difíceis, tais como o abuso sexual, abuso de poder e especialmente o encobrimento dos bispos chilenos”, afirmam na nota, adiantando que estes casos são uma epidemia “que já destruiu milhares de vidas de crianças e jovens”.

“As pessoas confiaram e foram traídas na sua fé e confiança”, acrescentaram.

Cruz, Hamilton e Murillo tiveram reuniões separadas com o papa e explicaram-lhes "a gravidade do encobrimento de abusos”.

Além disso, transmitiram que "a Igreja tem o dever de se tornar aliado e guiar o mundo na luta contra o abuso e abrigo para as vítimas".

Os três relataram que, durante os últimos dez anos, foram tratados "como inimigos", porque lutavam "contra o abuso sexual e o encobrimento na Igreja".

Karadima foi condenado em 2011 pela justiça canónica a uma vida de reclusão e penitência por esses atos.

Juan Barros, nomeado bispo em março de 2015 pelo papa Francisco, foi acusado no Chile de encobrir os casos de abuso sexual cometidos pelo influente Fernando Karadima quando era pastor da igreja El Bosque, em Santiago.

Depois do encontro com as vítimas, o papa terá uma reunião com os bispos do Chile.

O encontro será na terceira semana de maio e os bispos devem apresentar um plano de renovação da igreja no Chile, que poderá implicar expulsões.

O papa convocou os bispos numa carta divulgada no inicio de abril.

Francisco, que defendeu Juan Barros em janeiro, enviou a carta aos bispos chilenos depois de receber o relatório do arcebispo maltês Charles J. Scicluna, que viajou ao Chile para assistir aos depoimentos das supostas vítimas dos abusos.

Depois de ler o relatório, que inclui 64 testemunhos, o papa pediu "a colaboração e a assistência" do clero chileno "no discernimento das medidas que, a curto, médio e longo prazo, deveriam ser adotadas para restabelecer a comunhão eclesial".