O papa, este, certamente não se incomodará que no título deste artigo o tratemos apenas pelo nome que escolheu para o pontificado e deixemos o dístico papal para outros momentos. Francisco é assim mesmo: desprovido de títulos, ornamentos e outras tais singularidades que tanto o mundo se habituou a ver. Francisco é isto tudo, mas é também mais: o papa, este, mostrou num ano, ao mundo o que este sempre quis ver, mas nunca pensou ser possível.

O papa do povo trouxe desde o primeiro momento a simplicidade dos gestos que se tornou na base da confiança com os fiéis. Francisco largou os sapatos vermelhos e a cruz dourada e o mundo exclamou: «Finalmente. Era só isto que precisávamos».

O gesto simbólico, alimentado por tantos outros como o pagamento da conta do hotel em que se hospedou antes de ser o Escolhido, anteviu um pontificado que em tudo seria diferente. O líder da Igreja Católica assumiu uma «nova voz de consciência» que é simplesmente escutada não só pelos fiéis, mas por todos os outros, especialmente os críticos.

O Francisco do Ford Focus e das #selfies é o papa mediático, uma estrela da Internet, das redes sociais. Foi, por exemplo, o tema de oito milhões de tweets desde a sua eleição a 13 de março de 2013. Foi a personalidade do ano para a Time, capa da Rolling Stone e notícia nos principais sites de informação mais de 48 mil vezes.

Números que colocam Jorge Mário Bergoglio não só próximos dos fiéis, como ao nível das grandes figuras mundiais. Mas repetimos: o pontífice que até já disse um palavrão no Vaticano é mais do que tudo isto.

O papa, este porque nunca é demais lembrar que vivemos no tempo quase único em que existe outro, é também o Francisco que simplesmente telefona aos fiéis, quer seja para lhes desejar bom natal, quer seja para dar uma palavra de conforto a quem sofre.

Francisco é o papa que parece conseguir quebrar tabus e chamar a atenção de todos para o evidente, quando, por exemplo, evocando a homossexualidade, disse: «Quem sou eu para julgar?».

Ao lado do que poderia ser simplesmente um mediatismo, Francisco mostrou-nos ao longo do último ano os gestos simples, mas carregados não só de mensagem, mas de uma mensagem católica. Os abraços aos desfigurados e a cerimónia de lava pés a jovens detidos numa prisão são disso mesmo exemplo.

O «papa rock star» é sobretudo admirado por muitos, mais do que todos estaríamos à espera. Francisco é, por agora, símbolo de esperança: nos homens, na paz, nos tempos.

Até quando?