Várias dezenas de teólogos, padres e académicos conservadores acusaram o Papa Francisco de espalhar a heresia ao manifestar, num texto em 2016, abertura aos católicos divorciados que voltaram a casar.

Numa carta de 25 páginas entregue ao chefe da Igreja Católica no mês passado e entregue no sábado à Associated Press, os 62 signatários emitiram uma “correção filial” ao Papa – uma medida que disseram não ser usada desde o século XIV.

A carta acusa Francisco de propagar sete posições hereges em relação ao casamento, moral e sacramentos com o seu documento de 2016 intitulado “A Alegria do Amor” e subsequentes “atos, palavras e omissões”.

A iniciativa segue outro pedido formalizado por quatro cardeais conservadores que escreveram no ano passado a Francisco a pedirem-lhe para clarificar uma série de “dúvidas” sobre o seu texto de 2016.

A posição do líder da Igreja Católica motivou cinco perguntas desses quatro cardeais conservadores, que pediram ao papa esclarecimentos em relação ao conteúdo da exortação apostólica 'Amoris Laetitia' (Alegria do Amor), que encoraja os padres a ajudar os casais católicos divorciados e que voltaram a casar a decidir se devem, ou não, receber o sacramento da comunhão.

O Papa Francisco não respondeu a nenhuma destas iniciativas, segundo a Associated Press.

Em dezembro, Francisco reiterou que a decisão de dar a comunhão aos divorciados que voltaram a casar tem o apoio da maioria dos bispos do mundo.

Outra novidade foi a autorização a todos os sacerdotes para manterem definitivamente a capacidade de absolverem as mulheres que fizeram um aborto, disposição que devia vigorar apenas durante o ano jubilar da misericórdia, que terminou em novembro do ano passado.

O líder da igreja católica também admitiu a possibilidade de ordenação de homens casados, que poderiam trabalhar em regiões remotas onde faltam padres, situação que afeta, por exemplo, o Brasil, um grande país católico e com uma escassez aguda de sacerdotes.

Francisco insistiu na necessidade de atribuir postos-chave a mulheres e leigos, no âmbito da reforma do Governo da Igreja Católica, além de ter anunciado a intenção de criar uma comissão para estudar a possibilidade de as mulheres acederem ao diaconado, podendo substituir os padres em alguns sacramentos, como o batismo.