Milhares de pessoas deixaram os seus sapatos na Praça la République, para simbolizar os manifestantes que não puderam marchar em Paris e o Papa Francisco não quis ficar de fora. Depois de vários discursos sobre as mudanças climatéricas, o líder do Vaticano doou o calçado para alertar para a urgência da chegada de um acordo por parte dos governos.

Mais de meio milhão de pessoas juntaram-se, à volta do mundo, para a maior ação ativista sobre o ambiente de sempre, para pressionar os líderes mundiais a tomar decisões que diminuam as emissões de gases poluentes. A Marcha Global do Clima teve 2.300 eventos, durante o fim de semana, mas nenhum chamou tanto à atenção como a disposição de milhares de sapatos em Paris, para simbolizar as pessoas que não podiam protestar, por motivos de segurança, na sequência dos atentados de 13 de novembro.

Entre os milhares de pares de calçado houve uns que se destacaram: um par de sapatos pretos, com a assinatura do Papa Francisco. Um ato simbólico que foi noticiado pela rádio oficial do Vaticano.

De acordo com a Rádio Vaticana, Oscar Soria, um dos responsáveis pela organização ativista online Avaaz, que foi uma das organizadoras do movimento, reconheceu o papel do Papa para trazer o assunto das mudanças climáticas para o topo da agenda política mundial. Congratulou também os manifestantes pela junção para pressionar os líderes mundiais.
 

“Esta é a marcha do nosso tempo. As pessoas vão para as ruas, porque pensam que o mundo tem de ter esta decisão de ter 100% energia limpa e nós já temos três milhões de pessoas que assinaram a petição”.

 
 

A posição do pontífice vem na sequência dos seus últimos discursos, onde apelou para o despertar da consciência ambiental. Em setembro, na ONU, o líder da Igreja Católica focou a palestra nos “direitos do ambiente”, frisando que o sistema capitalista está a provocar “a destruição do ambiente, que está acompanhado do processo de exclusão económica e social”.
 

“Os seres humanos fazem parte do ambiente. Vivemos em comunhão com ele e o ambiente tem em si limites éticos que os humanos devem conhecer e respeitar. Um mal feito ao ambiente é, por isto, um mal feito à humanidade”.


A Conferência do Clima arranca esta segunda-feira, em Paris. Na cimeira estarão representados cerca de 200 países.