O Papa pediu esta segunda-feira, 1 de janeiro, que a Igreja seja "humilde, pobre de coisas e rica de amor", e criticou os que incitam o medo aos migrantes, durante a sua primeira missa do ano, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

O pontífice celebrou a primeira eucaristia de 2018 no dia em que a Igreja celebra a 51 Jornada Mundial da Paz, para o que escreveu uma mensagem em que criticou os que fomentam o medo aos imigrantes.

Na mensagem, que o Vaticano tinha difundido por antecipação em novembro, o papa manifesta-se contra os que incitam o medo aos imigrantes, por vezes com fins políticos, pois só criam racismo e violência.

Os que fomentam o medo aos imigrantes, em ocasiões com fins políticos, em vez de construir a paz, semeiam violência, discriminação racial e xenofobia, que são fonte de grande preocupação para todos aqueles que levam a sério a proteção de cada ser humano", escreveu o pontífice.

Na mensagem para a Jornada da Paz, que este ano tem como título "Imigrantes e refugiados: homens e mulheres que procuram a paz", Jorge Bergoglio adverte que "as migrações globais continuarão a marcar o nosso futuro”.

O papa pediu aos fiéis que se encontravam na basílica do Vaticano que deixem "os fardos do passado" e pensem "de novo no que importa" e insistiu em que Deus quer que a Igreja seja como a Virgem, "mãe terna".

A celebração eucarística de hoje no Vaticano foi dedicada à “solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus” e nesta ocasião o papa afirmou que a devoção a Maria “não é uma cortesia espiritual, é uma exigência da vida cristã”.

O dom da mãe, o dom de todas as mães e de toda a mulher é muito valioso para a Igreja, que é mãe e mulher”, disse Francisco, acrescentando que uma mãe “sabe como proteger, unir no coração, vivificar”.

Cardeal secunda Papa

O cardeal patriarca de Lisboa, António Clemente, apelou também aos católicos que dirijam um “olhar de paz” para os outros, principalmente para imigrantes e refugiados, que procuram Portugal “por razões de pura sobrevivência”.

Para a primeira missa do ano, o cardeal escolheu a Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, na Benedita, em Alcobaça, distrito de Leiria e diocese de Lisboa, centrando a sua homilia na mensagem "Imigrantes e refugiados: homens e mulheres que procuram a paz", sugerida pelo papa Francisco para este Dia Mundial da Paz.

O papa Francisco dirige esta mensagem especialmente aos imigrantes e aos refugiados, que são muitíssimos no mundo de hoje - 250 milhões de imigrantes é efetivamente uma multidão - e muitos deles muito mal recebidos e mal acompanhados. E muitos deles tiveram de emigrar por procura de melhor vida, mas também de sobrevivência”, disse.

António Clemente lembrou que também Jesus, Maria e José tiveram de refugiar-se no Egito para fugir a Herodes e realçou que Jesus Cristo sempre se apresentou como o “príncipe da paz”, tendo “um olhar de paz, de pacificação, para os que estão perto e para os que vêm longe”, porque “nas terras de onde provêm nem têm paz, nem têm pão, nem têm sossego, nem têm nada”.

Um olhar que, por vezes, também tinha advertências sérias, porque, como sabemos, a paz é fruto da justiça, e só a podemos alcançar quando somos justos e damos a Deus e aos outros aquilo que lhes é devido”, acrescentou.

O Cardeal sublinhou que este olhar de pacificação deve ocorrer junto das famílias de cada um e alargado da família “a esta grande família em que a sociedade se deve tornar para os de cá e para os que nos procuram”.

Temos de ser os primeiros colaboradores desta pacificação. (…). Devemos reforçar este olhar. E este olhar, segundo o papa, é um olhar que depois se desdobra em quatro atitudes, uma atitude de acolhimento, outra de proteção, de promoção e de integração”, disse.