O Papa Francisco pretende acelerar o processo de beatificação do padre Jacques Hamel, morto por dois jihadistas em julho, no noroeste de França, revelaram este domingo fontes do Vaticano.

Trata-se de uma rara exceção das regras do Vaticano, que exigem um intervalo de cinco anos entre a morte e a abertura do processo de beatificação.

O anúncio foi feito à margem da deslocação do papa à Geórgia e ao Azerbaijão, numa altura em que a igreja de Saint-Étienne-du-Rouvray, perto de Rouen, reabriu as portas, dois meses depois do atentado que custou a vida do padre.

Nos seus últimos anos, João Paulo II permitiu a abertura antecipada do processo de beatificação de Madre Teresa de Calcutá, que havia morrido em 1997.

No caso do padre Hamel, o provável reconhecimento como mártir dispensará a necessidade de lhe ser atribuído um milagre para acelerar o processo de beatificação.

Numa missa em meados de setembro no Vaticano em memória do padre Hamel, o Papa Francisco não deixou dúvidas sobre a intenção de aprovar o processo de beatificação daquela vítima do ‘jihadismo’.

O Papa Francisco referiu-se, então, ao padre Hamel como um "mártir", a quem todos devem a "fraternidade, a paz e a coragem de dizer que `matar em nome de Deus é satânico".

Jacques Hamel trabalhava de perto com a comunidade muçulmana e era descrito como “um bom homem”, “sempre ao serviço dos outros”. Era padre auxiliar na paróquia de Saint-Etienne e celebrava a missa no momento do ataque.

Conhecido pelos fiéis como "Pai Hamel", tinha 86 anos e era sacerdote há mais de cinco décadas. Podia ter-se reformado há cerca de dez anos, mas optou por continuar a trabalhar.