O papa Francisco iniciou estas exta-feira no Vaticano as cerimónias da Páscoa, que este ano estão a ser marcadas por medidas de segurança e por uma declaração controversa do líder católico a negar a existência do inferno.

Nesta sexta-feira santa, o papa celebra a Paixão do Senhor, na basílica do Vaticano, e ainda a tradicional Via Sacra no Coliseu de Roma, símbolo das perseguições aos primeiros cristãos.

As cerimónias inserem-se no chamado “tríduo pascal”, os três dias de celebração da Páscoa comemorados pelos cristãos, e estão a ser acompanhadas por fortes medidas de segurança em Roma, após uma série de prisões de supostos extremistas islâmicos.

Polémica sobre inferno

As comemorações solenes coincidem com uma nova controvérsia de comunicação no Vaticano sobre a afirmação do papa de que o inferno não existe.

O inferno não existe, o que existe é o desaparecimento de almas pecaminosas", disse o papa em entrevista concedida a Eugenio Scalfari, fundador do jornal italiano La Repubblica.

O Vaticano apressou-se a reagir às palavras atribuídas a Francisco, não negando a afirmação do papa, mas dizendo apenas que o jornalista, que fará 94 anos em abril, reconstruiu uma conversa.

Nenhuma frase colocada entre aspas [na entrevista] deve ser considerada como uma transcrição fiel das palavras do santo padre", declarou o Vaticano, observando que Francisco certamente se avistou com Eugenio Scalfari, mas não numa entrevista.

Citado pelo La Repubblica, o papa afirmou que “aqueles que se arrependem recebem o perdão de Deus e tomam seu lugar entre aqueles que O contemplam, mas aqueles que não se arrependem e que, portanto, não podem ser perdoados, desaparecem”.

O catecismo oficial da Igreja Católica, no entanto, declara "a existência do inferno e sua eternidade", segundo a sua transcrição no ‘site’ do Vaticano.

Esta é a segunda controvérsia envolvendo o papa e Scalfari, quando, após uma entrevista de Francisco em julho de 2014 ao fundador do La Repubblica, o Vaticano negou declarações atribuídas a Francisco a assinalar que existiam soluções para o celibato dos padres.

A relação do papa com a Cúria tem sido atribulada desde a sua eleição, há cinco anos.

No início do seu pontificado, Francisco apontou críticas à Cúria e prometeu mudanças.

A Cúria tem um defeito: está centrada no Vaticano. Vê e ocupa-se dos interesses do Vaticano e esquece o mundo que o rodeia. Não partilho desta visão e farei tudo para a mudar”, afirmou então.