O Papa Francisco criticou, esta quarta-feira, a administração Trump, por causa da política de “tolerância zero” em relação à imigração, que tem resultado na separação de famílias, na fronteira com o México.

Numa entrevista de fundo à agência Reuters, para assinalar o Dia Internacional do Refugiado, o Papa Francisco reforçou a posição até agora adiantada pelos bispos católicos, que considera “imoral” e “contrário aos valores católicos” separar crianças dos seus pais.

Não é fácil, mas o populismo não é a solução”, disse o Papa Francisco.

A entrevista foi dominada pela questão das migrações e Donald Trump não foi o único visado sobre a falta de acolhimento a quem procura uma vida melhor. Numa clara referência à recusa do Governo italiano em receber uma embarcação com 630 migrantes na última semana, Francisco sublinhou que quem chega à Europa não pode ser enviado para trás.

Considero que não se pode rejeitar quem chega. Temos de os receber, ajudá-los, olhar por eles, acompanhá-los e depois ver onde os colocar, procurando soluções em toda a Europa.”

 

Alguns Governos estão a trabalhar nisso e tem de se criar limites, mas cultivar o medo não é solução. O populismo não resolve as coisas. O que resolve as coisas é a aceitação, a análise e a prudência”, reforçou.

Também esta quarta-feira, mas numa publicação no Twitter, o Papa Francisco pediu que "o medo" não impeça de acolher "os pobres, os rejeitados, os refugiados".

Encontramos Jesus no pobre, no rejeitado, no refugiado. Não deixemos que o medo nos impeça de acolhe o próximo necessitado", lê.se na conta do papa Francisco, com a "hashtag" (etiqueta) "#WithRefugees".

A mensagem foi divulgada por ocasião da data em que se celebra o Dia Mundial do Refugiado.

Não é a primeira vez que Francisco ser refere à questão das migrações e dos refugiados desta forma. Por várias vezes, apelou já, durante o seu pontificado, a "uma gestão global e partilhada da migração internacional, apoiada nos valores da justiça, da solidariedade e da compaixão", como recordou num encontro, na semana passada, entre o Vaticano e o México.

Em várias ocasiões, o papa pediu que o medo dos estrangeiros "não alimente o ódio e a rejeição".