O papa Francisco apelou esta segunda-feira à paternidade responsável e disse que os bons católicos não devem procriar «como coelhos».

Francisco declarou partilhar a doutrina da Igreja contra a contraceção artificial, mas isso não quer dizer que «os cristãos devam ter um filho atrás do outro».

O líder da Igreja Católica, no voo de regresso ao Vaticano depois da sua visita às Filipinas, referiu que certa vez perguntou a uma mãe de sete filhos – todos nascidos de cesariana - porque estava grávida do oitavo e se queria «deixar para trás sete crianças órfãs».

«Eu acredito em Deus», respondeu a mulher, o que levou o papa a lembrar: «Entretanto, Deus deu-nos meios para sermos responsáveis».

«Alguns pensam, e desculpem o termo, que para serem bons católicos devem ser como coelhos», referiu.

Francisco declarou que a criação de uma nova vida é «parte do sacramento do casamento» e, durante sua visita a Manila, já havia defendido fortemente a proibição do papa Paulo VI da contraceção artificial para os católicos, que ocorreu em 1968.

«Paulo VI estava preocupado com o crescimento do neomalthusianismo (defende a restrição do número de crianças pobres que pode haver), o qual tentou controlar a humanidade (…)», disse.

«O ensinamento chave da Igreja é a responsabilidade parental. E como vamos conseguir isso? Através do diálogo. Há grupos para o casamento na Igreja, especialistas e padres», afirmou ainda.

O papa confirmou ainda a sua viagem à África, que passará pelo Uganda e pela República Centro-Africana, para o final do ano. A visita ao continente foi adiada devido ao surto de Ébola em alguns países africanos.

Francisco também referiu que irá visitar o Equador, a Bolívia e o Paraguai em julho.