O Papa classificou a atual fuga de centenas de milhares de pessoas para a Europa como uma "invasão árabe". Francisco falava durante um encontro no Vaticano com a organização cristã francesa Esprit Civique em que também reforçou que a Europa “sempre soube evoluir e fortalecer-se com a troca de culturas”, a ponto de se ter tornado o “único continente capaz de oferecer uma certa unidade ao mundo”.

Numa declaração citada pelo jornal oficial do Vaticano L’Osservatore Romano, o Papa aludiu ao fenómeno migratório que está a abrir fendas entre os países da União Europeia. “Hoje em dia podemos falar de uma invasão árabe. É um facto social”, afirmou Francisco.

Mas, ao mesmo tempo, o Sumo Pontífice classifica essa “invasão” como algo positivo e benéfico, na medida em que a onda de refugiados também significa novas oportunidades. Sublinhando que o continente europeu já passou por várias invasões ao longo da história, Francisco sublinhou que a Europa, "no entanto, sempre soube superar-se a si mesma, caminhar adiante para, depois, se reencontrar, enriquecida pela troca de culturas".

Sobre a crise migratória que assola a Europa, minada por egoísmos nacionais, o Papa afirmou que "se confunde a política com soluções circunstanciais". Diante dos desafios atuais do continente europeu, Francisco pediu unidade.

"Se se quer evitar que todos caminhem em direção a extremos, é preciso alimentar a amizade e a busca pelo bem comum", afirmou. "O único continente que pode dar certa unidade ao mundo é a Europa."

Fazendo referência a um discurso que fez no Parlamento Europeu em novembro de 2014, Francisco voltou a dizer que a Europa, antes uma mãe, passou a ser uma avó. A taxa de natalidade em países como Espanha e Itália é quase zero, destacou. "Ser mãe significa ter filhos", disse, ponderando que a renovação do continente europeu não pode ser apenas quantitativa.

"Se a Europa quer rejuvenescer, deve reencontrar as próprias raízes culturais", afirmou o Sumo Pontífice.

Francisco enfatizou que a Europa tem as raízes mais fortes e profundas do Ocidente.