O Papa Francisco disse, no domingo, em conferência de imprensa, que os cristãos devem um pedido de desculpas aos homossexuais. Uma afirmação, proferida a bordo do avião papal, no regresso da Arménia, que está a ser vista como uma aproximação inédita da Igreja Católica à comunidade LGBT.

O Catecismo da Igreja Católica diz que não devem ser discriminados, que devem ser respeitados e acompanhados pastoralmente. A Igreja deve pedir perdão por não se comportar devidamente muitas vezes. Mas quando eu digo Igreja eu quero dizer Cristãos! A Igreja é sagrada, nós somos pecadores!”, afirmou.

Francisco respondia a um jornalista sobre o facto de um cardeal alemão ter dito, recentemente, que a Igreja Católica devia pedir desculpa por ser “muito negativa” em relação aos gays. Ainda neste âmbito, o Papa foi questionado se os cristãos têm alguma culpa em relação ao ódio para com a comunidade LGBT, com referência ao massacre de Orlando, nos Estados Unidos, no passado dia 12, em que 49 pessoas foram assassinadas numa discoteca gay.

Uma pessoa pode condenar [um homossexual], mas não por razões teológicas, apenas comportamentais. Algumas manifestações são um bocadinho ofensivas para alguns, não? Mas isto é algo que não tem a ver com o problema. O problema é uma pessoa com uma determinada condição, que tem boa vontade e procura Deus. Quem somos nós para julgar? Temos de os acompanhar também”, disse Francisco, para quem, aliás, o pedido de desculpas dos cristãos não deveria ficar pelos homossexuais.

“Acredito que a Igreja não só deve pedir desculpas à pessoa que é gay e a quem ofendeu, mas também pedir desculpa aos pobres, às mulheres e crianças exploradas, tem de pedir perdão por ter abençoado muitas armas”, acrescentou.

Apesar de a doutrina católica não ter deixado de considerar a homossexualidade um pecado, com a chegada de Francisco, a comunidade LGBT acredita que há uma aproximação diferente, mais misericordiosa.

Para um ativista católico dos direitos gay, Francis DeBernardo, as afirmações do Papa são uma “bênção”.

Nunca um Papa disse tais palavras à comunidade LGBT, de que os cristãos devem pedir desculpa. Foi simples, mas poderoso.”