O papa Francisco denunciou hoje o escândalo que são «os bispos de aeroporto», prelados que ao invés de estarem junto dos fiéis, passam o tempo em viagem, de um aeroporto para outro.

«Residir (numa diocese) não é apenas necessário para ter uma boa organização, mas tem uma raiz teológica. Estais casados com a vossa comunidade, profundamente ligados a ela. Peço-vos que permaneçam entre o vosso povo. É preciso ficar, ficar. Evitar o escândalo de serem bispos de aeroporto», declarou o papa num encontro com bispos do Médio Oriente, incluindo dois sírios, reunidos para um colóquio da Congregação para as Igrejas Orientais.

«Na época da Internet, em que as relações são marcadas pela rapidez», é preciso «permanecer na diocese, sem procurar mudanças e promoções», disse o papa argentino, que atribui grande importância ao papel de bispo de Roma e não gosta muito de viajar.

«Sejam pastores que recebem, que caminham ao lado do vosso povo, com afeição, misericórdia, um comportamento doce e firmeza paternal, com humildade e discrição também, capazes de terem consciência dos vossos limites e de ter uma boa dose de humor», acrescentou.

O retrato robot do bom bispo deve ser aquele «da austeridade e da essencialidade», disse, e denunciou uma vez mais o carreirismo e a «psicologia de príncipes» de alguns bispos.

Francisco voltou a insistir na necessidade de os bispos estarem sempre prontos a ouvir os seus padres e as suas dificuldades, tal como ele tentava fazer quando era arcebispo de Buenos Aires.

A presença de dois bispos sírios «leva a uma nova invocação do dom da paz», na Síria e no mundo, declarou Francisco.