O Papa comparou, nesta quarta-feira, os meios de comunicação que procuram escândalos e difundem notícias falsas a pessoas sexualmente atraídas por excrementos, e descreveu os seus leitores como pessoas que gostam de comer fezes.

Francisco também criticou a desinformação, um assunto que tem sido debatido por causa da proliferação de notícias falsas online, considerando que possivelmente influenciaram as eleições presidenciais norte-americanas.

A desinformação é provavelmente o maior demónio que um meio [de comunicação] pode infligir porque orienta as opiniões numa direção omitindo parte da verdade. Acredito que os media devem ser muito mais claros, mais transparentes e não caírem, desculpe a expressão, na coprofilia [atração sexual por fezes], ou seja, quererem sempre noticiar escândalos, coisas feias, ainda que sejam verdadeiras", afirmou em entrevista ao semanário católico belga Tertio, acrescentando que "à medida que as pessoas tendem a sofrer de coprofagia [consumo de fezes], isso pode ser muito perigoso".

Estas observações do Papa surgem numa altura em que nos Estados Unidos e no Reino Unido se debate se as notícias falsas desempenharam ou não um papel importante na eleição de Donald Trump e no Brexit.

Os meios de comunicação têm as suas próprias tentações, podem ser tentados pela calúnia e, por isso, podem ser usados para caluniar as pessoas, para as esmagar, sobretudo no mundo da política. Podem ser usados como meios de difamação. E ninguém tem o direito de fazer isto, é um pecado e é perigoso", criticou, ainda, Francisco.