O hospital Bambino Gesù, o hospital pediátrico do Vaticano, ofereceu-se para receber o bebé britânico Charlie Gard, para evitar que sejam desligadas as máquinas que lhe suportam a vida, como pretendem os médicos, contra a vontade dos pais, noticia a CNN.

Charlie tem 10 meses e é uma das 16 crianças no mundo que sofre de uma desordem genética que provoca danos cerebrais irreversíveis. A doença chama-se Síndrome de Depleção do ADN Mitocondrial (MDDS, na sigla inglesa).

Depois de o Papa Francisco ter apelado a que o hospital italiano cuide de Charlie, a diretora do Bambino Gesù, Mariella Enoc, enviou um comunicado ao Great Ormond Street Hospital for Children, em Londres, onde bebé tem estado internado desde outubro de 2016, para verificar se as condições de saúde existentes permitem a transferência de Charlie para Roma.

Pedi ao diretor médico para verificar com o Great Ormond Street Hospital, em Londres, se há condições para uma eventual transferência do bebé Charlie para o nosso hospital", disse Mariella Enoc à imprensa italiana.

 

A diretora do Hospital Bambino Gesù reconheceu que está em causa “um caso desesperante e que, aparentemente, não existe uma terapia eficaz”. Citando o Papa Francisco, Mariella Enoc afirmou que “defender a vida humana, sobretudo quando é ferida pela doença, é um compromisso de amor que Deus confia a todos os seres humanos”.

A vontade manifestada pela diretora do hospital surge depois de o Papa Francisco ter referido que “segue com carinho e emoção o caso do pequeno Charlie e expressa a sua união para com os pais “.

Também o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, manifestou disponibilidade para ajudar a criança de dez meses, cujos pais a querem levar para os EUA para um tratamento experimental.

Na conta de Twitter, Donald Trump escreveu: "Se podermos ajudar o pequeno #CharlieGard,bem como os nossos amigos no Reino Unido e o Papa, estamos disponíveis para isso".

O caso de Charlie Gard tem gerado uma enorme onda de solidariedade por todo o mundo. O bebé, atualmente com dez meses, nasceu saudável a 4 de agosto de 2016, mas dois meses depois teve de ser internado por causa de uma pneumonia. Foi então diagnosticado com Síndrome de Depleção Mitocondrial.

Desde então, os pais de Charlie lutaram em tribunal no Reino Unido pelo direito de manterem vivo o filho, de modo a poderem levá-lo para os Estados Unidos da América onde seria submetido a um tratamento experimental, mas perderam a causa. A justiça britânica deu razão aos médicos do Great Ormond Street Hospital for Children, que foi autorizado a desligar as máquinas de suporte básico. O caso entrou numa enorme batalha judicial, tendo mesmo chegado ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que acabou por dar razão aos médicos. 

O pedido do Papa ao hospital Bambino Gesù e a oferta de apoio do presidente dos EUA surge numa altura em que a justiça declarou que os pais devem começar a despedir-se do filho. Chris Gard e Connie Yates viram negado o recurso interposto no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e a morte do pequeno Charlie Gard tinha ficado agendada para a semana passada. A máquina de suporte de vida deveria ter sido desligada na sexta-feira, mas os médicos decidiram dar a Chris Gard e Connie Yates mais uns dias para se despedirem da criança.

De acordo com o Daily Mail, os médicos acederam a um emocionado pedido feito pelos pais ao Great Ormond Street Hospital.

Conversámos com Great Ormond Street e eles concordaram em dar-nos um pouco mais de tempo com o Charlie. Estamos gratos por todo o apoio que recebemos. Estamos a criar memórias que guardaremos para sempre no nosso coração”, afirmaram Connie Yates e Chris Gard.