“Colonização ideológica” é a ideia que o Papa contesta e na qual terá agora incluído a informação dada às crianças nas aulas, de que a sua orientação sexual é uma opção.

As palavras do Papa terão sido ditas num encontro privado com bispos, durante a visita à Polónia, na passada semana. Um resumo das conversas foi agora publicado pelo Vaticano e aí, na sua versão em Português, surgem as palavras de Francisco que estão a causar polémica.

Na Europa, nos Estados Unidos, na América Latina, na África, nalguns países da Ásia, existem verdadeiras colonizações ideológicas. E uma delas – digo-a claramente por “nome e apelido” - é o gender! Hoje às crianças – às crianças! –, na escola, ensina-se isto: o sexo, cada um pode escolhê-lo. E porque ensinam isto? Porque os livros são os das pessoas e instituições que te dão dinheiro. São as colonizações ideológicas, apoiadas mesmo por países muito influentes. E isto é terrível. Em conversa com o Papa Bento – que está bem e tem um pensamento claro – dizia-me ele: «Santidade, esta é a época do pecado contra Deus Criador». É inteligente! Deus criou o homem e a mulher; Deus criou o mundo assim, assim e assim; e nós estamos a fazer o contrário”.

Uma “ignorância perigosa”

A posição expressa por Francisco foi já criticada pela DignityUSA, uma organização católica norte-americana de Lésbicas, Gays, bissexuais e Transgéneros (LGBT). Para a sua líder, Marianne Duddy-Burke, trata-se de uma “ignorância perigosa”, sendo “muito perturbador que o Papa tenha dito isso”.

Mostra também que o Papa não entende o perigo que as suas palavras podem ter para as pessoas que não se conformam com o seu sexo, particularmente as que vivem em países com leis e opressão cultural que as colocam em risco”, afirmou a líder da DignityUSA, citada pela página na Internet do jornal New York Times.

Uma explicação das palavras do Papa

As palavras de Francisco caíram como um balde de água fria nos ativistas LGBT, especialmente depois da posição pública que o Papa assumiu, após o massacre numa discoteca gay, em Orlando, no Estado norte-americano da Florida, em junho.

Então, o Papa chegou mesmo a afirmar que os homossexuais mereciam um pedido de desculpas pelos maus tratos no passado, infligidos por cristãos.

Já no início do ano passado, o Papa surpreendera ao convidar o transgénero, Diego Neria Lejarraga, para ir ao Vaticano, após este lhe ter escrito dizendo que tinha sido banido pela sua paróquia.

Agora, além das acusações de Francisco serem contestadas pela comunidade LGBT, fazem outros tentar adivinhar “o que estará a incomodá-lo”

Há algo subjacente ali. E creio que é por ele achar que este tipo de assunto está a ser metido dentro da cabeça” das crianças, sustentou o padre jesuíta Thomas J. Reese, analista no jornal The National Catholic Reporter.

A questão da “nova colonização ideológica que está a destruir a família” foi uma das preocupações expressas pelo Papa, no ano passado, numa visita às Filipinas. Então, quando questionado sobre o que pretendia dizer em concreto, Francisco terá dado o exemplo do que se passava no seu país natal, a Argentina. Onde o Ministério da Educação havia aceitado um empréstimo para construir escolas com a condição de que os manuais escolares incluíssem a teoria da opção sexual.