O Papa Francisco disse que os comunistas "pensam como os cristãos", numa entrevista publicada esta sexta-feira pelo jornal italiano La Repubblica. O chefe da Igreja Católica respondia a uma pergunta sobre se gostaria de uma sociedade de inspiração marxista. Na mesma entrevista, o Sumo Pontífice evitou fazer um julgamento pessoal sobre o Presidente eleito dos EUA, Donald Trump.

"São os comunistas que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade em que os pobres, os débeis e os excluídos é que decidem. Não os demagogos, os Barrabás, mas o povo, os pobres, tenham fé em Deus ou não, mas são eles que temos de ajudar a obter a igualdade e a liberdade", afirmou o Papa, na entrevista.

Francisco disse esperar, por isso, que os movimentos cívicos entrem na política.

"Não na politiquice, nas lutas de poder, no egoísmo, na demagogia, no dinheiro, mas na alta política, criativa e de grandes visões", salientou.

O Sumo Pontífice evitou falar, ao jornal, sobre o Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e assegurou que, em relação aos políticos, só lhe interessa "os sofrimentos que a sua maneira de agir podem causar aos pobres e aos excluídos".

Francisco disse que a sua maior preocupação é o drama dos refugiados e imigrantes e reiterou que é necessário "abater os muros que dividem, tentar aumentar e estender o bem-estar".

"E para isso é necessário derrubar muros e construir pontes que permitam diminuir as desigualdades e dar mais liberdade de direitos", concluiu. 

Em fevereiro deste ano, o Papa sugeriu que a posição de Donald Trump sobre a imigração, que inclui a promessa eleitoral de construir um muro na fronteira entre EUA e México para manter afastados os imigrantes ilegais, "não era cristã". Um porta-voz papal disse depois que a declaração não foi um ataque pessoal. Uma declaração que o próprio Donald Trump desvalorizou, ao garantir não ter ficado chateado com Francisco.

Sobre os supostos "adversários" que tem no seio da Igreja, Francisco afirmou que não lhes chamaria assim e sublinhou que "a fé une todos, embora naturalmente cada um veja as coisas de maneira diferente".