Católicos conservadores norte-americanos divulgaram esta quarta-feira uma carta aberta ao papa Francisco, a poucos dias do início do sínodo da família, apelando para que se mantenha intransigente na defesa do casamento.

Na carta divulgada online 48 personalidades manifestam as suas preocupações relativamente à família, particularmente nos Estados Unidos, onde a taxa de divórcios ultrapassa os 40 por cento.

Os casais «esperam desesperadamente ouvir a verdade [...]sobre o motivo por que Cristo e a Igreja desejam que permaneçam fiéis durante toda a vida», escrevem os signatários da carta.

«Quando o casamento se tornar difícil - como é o caso para a maioria dos casais - a Igreja tem que ser uma fonte de apoio, não apenas para os cônjuges individualmente, como para o próprio casamento», acrescentam.

Os autores da carta, entre os quais se conta a antiga embaixadora norte-americana na Santa Sé Mary Ann Glendon, não falam diretamente do sensível dossier dos divorciados recasados, mas mostram-se preocupados com o impacto do divórcio e da pornografia nos Estados Unidos.

A carta é divulgada no mesmo dia em que chega às bancas um livro de cinco cardeais que defende a posição atual da Igreja sobre este tema e vem engrossar a oposição ao cardeal alemão Walter Kasper, próximo do papa Francisco, que defende a procura de soluções para os divorciados e recasados, atualmente impedidos de aceder a sacramentos como a confissão e a comunhão.

Entre estes cardeais está o ultraconservador norte-americano Raymond Leo Burke, que acusou o cardeal Kasper de falar em nome do papa, afirmando: «E contudo o papa não sofre de laringite».

O campo dos conservadores conta com outros pesos-pesados, como o cardeal australiano George Pell, que dirige o novo secretariado de Economia, ou o cardeal Gerhard Ludwig Müller, prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé.

É na igreja norte-americana que se encontram os principais opositores à linha de abertura do papa Francisco.

Os católicos norte-americanos lamentam que o pontífice não os apoie mais vezes nas suas posições contra o aborto e a contraceção.

A situação dos casais divorciados e recasados na Igreja tornou-se no principal debate a poucos dias do início da assembleia geral extraordinária dos bispos sobre a família, onde esta questão deverá concentrar as atenções.

O sínodo extraordinário dos bispos sobre a família, convocado pelo papa para 05 a 19 de outubro, deverá debater, entre outros temas, o lugar que a Igreja reserva aos católicos divorciados e recasados, debate que está a ser encarado por alguns setores católicos como um abandono da doutrina da Igreja sobre o casamento.