A Federação Venezuelana de Industrias da Panificação e Afins (Fevipan) pediu este domingo ao Governo da Venezuela para abastecer de farinha as mais de 10.000 padarias do país, alertando que nos próximos dias alguns estabelecimentos terão que parar a produção.

"Há regiões do país em que a situação é bastante difícil, como [os estados de] Amazonas, Anzoátegui, Bolívar e Táchira. Neste último estado necessita-se farinha com urgência porque só têm [em armazém] até 15 de dezembro", disse o presidente da Fevipan aos jornalistas.

Segundo Tomás Ramos, o setor necessita de pelo menos 100 mil toneladas mensais de farinha de trigo cujo abastecimento é irregular desde agosto último, altura em que foram importadas 20 mil toneladas de matéria prima.

"Há 30 mil toneladas nos portos (à espera de completar o processo alfandegário) e outras 30 mil toneladas estariam em caminho desde o Canadá e Estados Unidos", frisou, insistindo que o setor está desabastecido e que há atrasos consideráveis no processo de importação.

Por outro lado frisou que além da farinha os padeiros precisam de 500 toneladas mensais de fermento, 8.000 toneladas de gorduras, manteiga, margarina e óleos. Também conservantes, ovos e outras matérias primas fundamentais.

Um grande número das padarias da Venezuela são propriedade de empresários portugueses radicados no país, para quem o mês de dezembro é muito importante a nível de produção.

Um padeiro português explicou à Agência Lusa que "em dezembro, devido à quadra de Natal, é quando os venezuelanos consomem mais produtos das padarias, entre eles o 'pão de fiambre'", um elemento tradicional da ementa natalícia venezuelana.

Por outro lado explicou que as padarias venezuelanas produzem mais que bolos, que o pão tradicional e as suas variedades, "muitas delas fazem pizzas e outras coisas que são de consumo frequente".

Segundo o Presidente da Fevipan, Francisco Ramos, o setor da panificação abrange 240.000 empregos diretos e 170.000 indiretos.