O Governo grego vai exigir indemnizações às empresas alemãs envolvidas em escândalos de corrupção relacionadas com compras de armamento, anunciou esta terça-feira o ministro da Defesa Panos Kammenos.

«Já preparámos um projeto-lei que prevê que o Estado possa exigir uma indemnização a empresas condenadas no estrangeiro por subornos» relacionados com compras de armamento pela Grécia, disse Kammenos em entrevista à televisão privada Mega.

Kammenos referiu que o Estado, através desta iniciativa legislativa, poderá «propor à empresa condenada o pagamento de uma indeminização que restabeleça completamente o prejuízo provocado, em troca do fim de todos os processos penais» na Grécia.

O ministro da Defesa grego citou o caso do grupo alemão Rheinmetall, envolvido em vários contratos de compras de armamento pelas Forças Armadas gregas e já condenado na Alemanha por ter subornado diversos funcionários gregos.

«A Rheinmetall foi condenada a pagar 37 milhões de euros na Alemanha por subornos num valor total de 62 milhões de euros na Grécia. A Grécia, que foi o país lesado, exigirá muito mais», assegurou Kammenos.

O ministro da Defesa grego e líder dos Gregos Independentes (Anel, nacionalista de direita e soberanista, que integra a coligação governamental liderada pelo partido da esquerda radical Syriza), anunciou ainda que o seu ministério enviou para o juiz anticorrupção toda a informação que dispõe sobre a compra de 20 helicópteros NH-90 pelas Forças armadas gregas.

Neste contrato, a companhia Eurocopter, filial da Airbus, é acusada de ter pago 41 milhões de euros de “luvas” a altos funcionários gregos.

«Há muitos políticos envolvidos neste assunto», assegurou o ministro da Defesa helénico.

Kammenos também criticou o acordo de indeminização concluído pelo anterior executivo, liderado pelo primeiro-ministro conservador e líder da Nova Democracia (ND) Antonis Samaras, com a empresa alemã Siemens.

«A comissão parlamentar [que analisou esta caso] tinha decidido exigir dois mil milhões de euros. O acordo concluído mais tarde por Samaras foi por uma quantia mínima», disse Kammenos, expulso em 2012 da ND com um conjunto de deputados conservadores por se opor às políticas de austeridade.

O responsável pela pasta da Defesa recordou ainda que a Comissão Europeia qualificou de fraude o compromisso então alcançado com o governo de coligação entre a ND e o Partido Socialista Pan-Helénico (Pasok). Na ocasião, a indemnização acordada entre Samaras e a Siemens rondou os 170 milhões de euros, para além de investimentos da empresa na Grécia de 100 milhões de euros.

O acordo previa que a Siemens deveria financiar programas de formação para o combate à corrupção e lavagem de dinheiro.

Kammenos também se congratulou pelo facto de o «escândalo da Siemens» ter sido referido pelo primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, durante o encontro bilateral que manteve na segunda-feira em Berlim com a chanceler Angela Merkel.

«Não é possível que [Michalis] Christoforakos permaneça sob proteção em Munique e não dê informação valiosa para que a justiça grega condene os culpados», declarou.

Michalis Christoforakos foi o diretor executivo da Siemens Hellas, a filial da multinacional alemã na Grécia, entre 1996 e 2007.

No decurso da investigação do escândalo Siemens pela justiça grega fugiu para a Alemanha, onde admitiu ter pago subornos à ND e ao Pasok. Em consequência, foi condenado a uma multa de 350 mil euros, quando na Gréecia poderia inclusivamente ser sentenciado a prisão perpétua.