A firma de advogados panamiana Mossack Fonseca, no centro do escândalo dos Papéis do Panamá, trabalhou para uma companhia de petróleo iraniana que tinha sido colocada na lista negra dos Estados Unidos. A companhia em causa é a Petropars, uma empresa que servia de intermediária entre empresas estrangeiras e o Ministério do Petróleo do Irão.

A relação entre a firma de advogados do Panamá e a Petropars data de 1998.

A Mossack Fonseca atribuiu a mesma caixa postal nas ilhas Virgens britânicas à Petropars e a outro cliente e o endereço foi sinalizado pelos bancos como ligado a uma empresa na lista negra.

Só então, em 2010, é que a Mossack Fonseca cessou a relação com a empresa iraniana, quando um dos fundadores da firma ter descoberto que a morada nas ilhas Virgens era a mesma que a da sua própria empresa.

O episódio volta a trazer à tona os perigos de atribuir a mesma morada a milhares de empresas, mas também a falta de rigor da Mossack.

Toda a gente sabe que há sanções das Nações Unidas contra o Irão e nós certamente não queremos negócios com regimes ou indivíduos destes sítios! Não por causa da OFAC, mas por princípio”, escreveu num e-mail uma trabalhadora da firma do Panamá, segundo o jornal The Guardian.

Esta não será a única empresa na lista negra do governo americano por relações com países sujeitos a sanções internacionais que a Mossack Fonseca ajudou a manter e, em alguns casos, a esconderem-se das autoridades.

A firma de advogados terá trabalhado com pelo menos 33 indivíduos e companhias sancionados pelo Departamento de Controlo de Ativos Estrangeiros do Tesouro Americano, segundo uma análise dos ficheiros internos da empresa pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.