A justiça do Panamá vai abrir uma investigação sobre o escândalo mundial de evasão fiscal conhecido como Papéis do Panamá, que implica altos quadros políticos, desportivos e do mundo dos negócios, anunciou na segunda-feira o Ministério Público panamiano.

Os factos descritos nos media nacionais e internacionais sob o nome 'Papéis do Panamá' vão ser objeto de uma investigação”, disse o Ministério Público, num comunicado.

A investigação terá por objetivo apurar se foram cometidas infrações e por quem e, ainda, identificar eventuais prejuízos financeiros, precisou o Ministério Público.

Vários países abriram investigações sobre branqueamento de capitais na sequência das revelações sobre o vasto esquema de evasão fiscal, a partir de cerca de 11,5 milhões de documentos provenientes do escritório de advogados panamiano Mossack Fonseca.

Mossack Fonseca declarou que essas revelações eram um “crime” e um “ataque" contra o Panamá, regularmente acusado de ser um paraíso fiscal, algo que é contestado pelas autoridades.

O Governo do Panamá assegurou no domingo que “iria cooperar vigorosamente” com a justiça em caso de abertura de um processo judicial.

O Ministério Público panamiano reconheceu a “complexidade e o efeito sem precedentes das informações” divulgadas, mas declarou que iria “disponibilizar todos os instrumentos” à sua disposição para a realização da investigação.

Presidente argentino nega ilegalidade

Mencionado, com o pai, o Presidente da Argentina, Mauricio Macri, nega qualquer ilegalidade. Diz que a constituição da empresa Fleg Trading, de que foi diretor e é referida na lista, foi “legal” e que “não houve nada de estranho” nessa operação.

“No caso particular que a mim me compete, é uma operação legal, feita por outra pessoa, constituindo uma sociedade offshore para investir no Brasil, um investimento que finalmente não foi feito enquanto eu fui diretor”, atestou numa entrevista ao diário La Voz del Interior.

Programa nuclear da Coreia do Norte implicado

Uma empresa de fachada norte-coreana usada para ajudar a financiar o programa nuclear do país também foi cliente da sociedade de advogados panamiana,

Com uma morada norte-coreana, a DCB Finance Ltd. foi registada nas Ilhas Virgens Britânicas em 2006 e legalmente constituída pela empresa panamiana Mossack Fonseca, informaram o jornal The Guardian e a estação BBC.

Nesse mesmo ano, a Coreia do Norte fez o seu primeiro teste nuclear, provocando a primeira de várias resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que impõem sanções a Pyongyang.

Tailândia 

O departamento contra a lavagem de dinheiro na Tailândia está a investigar 21 cidadãos que poderão ter empresas em paraísos fiscais e cujos nomes aparecem nos “Papéis do Panamá”, segundo a imprensa local.

Os implicados, cujos nomes não foram publicados pela imprensa, incluem proprietários de grandes conglomerados de empresas que poderão ter incorrido em crimes de evasão fiscal.

O número de investigados na Tailândia poderá aumentar, já que são referidos na fuga de informação nomes de 780 pessoas e 50 empresas com sede no país, algumas delas estrangeiras, de acordo com o diário Bangkok Post.

Investigação histórica

A maior investigação jornalística da história, divulgada na noite de domingo, envolve o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), com sede em Washington, do qual a TVI faz parte e destaca os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

A investigação resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas offshore em mais de 200 países e territórios.

A partir dos Papéis do Panamá (Panama Papers, em inglês) como já são conhecidos, a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em offshores e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles, o rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.