O primeiro-ministro britânico, David Cameron, alvo de inúmeros pedidos de demissão, admitiu este sábado que deveria ter gerido melhor o caso dos Papéis do Panamá, ao evocar a sociedade offshore liderada pelo seu próprio pai.

"Sei que devia ter lidado com isto de uma forma melhor. Há lições a tirar e eu vou aprender com isto". 

Em Londres, apesar dos encorajamentos de Edward Snowden no Twitter, os que defendem a demissão de Cameron estão, porém, a ter dificuldades em mobilizar mais pessoas nesse sentido, havendo mesmo poucas vozes na oposição trabalhista que os apoiam.

Defronte do "número 10 de Downing Street, sede do Governo britânico, várias centenas de manifestantes exigiram hoje de manhã a demissão do primeiro-ministro britânico, alguns empunhando cartazes com frases como "Cameron deve partir" e outros trajando panamás (chapéus).

Depois de quatro dias e quatro comunicados diferentes acerca da menção ao nome do pai no escândalo Papéis do Panamá, Cameron admitiu, na última quinta-feira, que lucrou com a offshore do pai. A oposição não perdeu tempo e deu nota no abalo na confiança no primeiro-ministro. Houve mesmo quem pedisse a sua demissão. 

"Não foi uma semana fácil", resumiu Cameron, este sábado, numa reunião do Partido Conservador.