Os sobreviventes do naufrágio ao largo da costa da Líbia chegaram, esta quinta-feira, à Sicília, assim como as histórias daqueles que conseguiram cruzar o Mediterrâneo.

O barco de pesca, que transportava centenas de migrantes, afundou-se esta quarta-feira, causando a morte de pelo menos 25 pessoas.
 
O navio da marinha irlandesa foi o primeiro a chegar ao local, mas quando o LÉ Niamh lançou os salva-vidas os migrantes mudaram-se todos para um dos lados da embarcação e o excesso de peso acabou por fazê-lo tombar.

O momento em que o barco virou e as pessoas caíram para dentro de água “foi como ser lançado por uma catapulta”, revelou Mohamed, um dos sobreviventes, citado pelo Corriere della Sera.
 
“Só conseguia ver cabeças a minha volta. Todos a empurrarem-se para conseguirem manter-se à tona”, declarou o agricultor palestiniano.

Mohamed contou ainda que terá salvado a mulher ao dar-lhe o colete salva-vidas, antes de mergulhar na água para salvar a filha.
 
“Eu mergulhei preparado para morrer para salvar a minha filha”.

Juan Matias Gil, coordenador da organização dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), confirmou que a família terá caído à água “com apenas um colete salva-vidas”.
 
“O colete salva-vidas estava com o pai, que o entregou à mulher, porque ela não sabia nadar”.

S família acabou por ser resgatada pelo Dignity1, barco gerido pela MSF. 

Este pode ter sido um dos maiores incidentes com migrantes, com cerca de 400 pessoas resgatadas pelos navios de socorro. 

Segundo a Organização Internacional para Migrações, já mais de 2 mil pessoas morreram este ano na tentativa de cruzar o Mediterrâneo para chegar à Europa.