Soldados israelitas alvejaram mortalmente um dos muitos manifestantes palestinianos na Faixa de Gaza, que protestava contra a decisão dos Estados Unidos de mudarem a sua embaixada para Jerusalém, reconhecendo implicitamente a cidade como capital de Israel.

O "Dia da Ira" convocado por grupos palestinianos e muçulmanos tem sido marcado por confrontos com o exército israelita em vários pontos do país e dos territórios ocupados.

Segundo a agência noticiosa Reuters, o ministro palestiniano da Saúde já confirmou o óbito de um dos manifestantes, um homem de 30 anos, de seu nome Mohammed Al-Masri, atingido por fogo real na cidade de Khan Yunes. Na Faixa de Gaza, 35 outros palestinianos ficaram feridos, dois deles com gravidade.

O ministro rectificou entretanto a informação por si avançada anteriormente sobre a existência de uma outra vítima mortal. Um homem foi baleado na cabeça, no leste do território da Cisjordânia. Estará em estado gravíssimo, mas sobreviveu.

Militares israelitas afirmaram entretanto que, em vários locais da Faixa de Gaza, os palestinianos atiraram pneus a arder e pedras contra os soldados.

Durante os motins, os soldados dispararam seletivamente contra dois dos principais instigadores, que foram atingidos", refere um comunicado do exército israelita.

Feridos noutros locais

Pelo menos treze outros palestinianos ficaram feridos esta sexta-feira com balas de borracha e fogo real na sequência de confrontos em várias localidades da Cisjordânia por causa do reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, segundo indicou o Crescente Vermelho.

Em várias cidades e vilas, milhares de palestinianos foram para as ruas após a oração do meio-dia e, em alguns casos, lançaram pedras contra tropas israelitas, que responderam com balas de borracha e gás lacrimogéneo. Na cidade de Belém era visível uma coluna de fumo a sair de um dos bairros.

Os confrontos em Jerusalém e um pouco por toda a Cisjordânia começaram quando os palestinianos saíram das mesquitas, após a oração do meio-dia de sexta-feira, o ponto alto da semana religiosa muçulmana.

Uma porta-voz do Crescente Vermelho (organização de paramédicos muçulmana equivalente à Cruz Vermelha) disse que 12 palestinianos ficaram feridos com balas de borracha e que um outro ficou ferido com fogo real.

Os confrontos na Cidade Velha começaram logo após a oração da manhã e têm sido divulgados através de váriosm canais na internet.

"Dia da Ira"

Os movimentos políticos palestinianos tinham apelado para que o dia de hoje fosse dedicado a manifestações em massa na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental.

Paralelamente, o líder de Gaza do grupo militante islâmico Hamas exortou a que os palestinianos começassem uma terceira revolta contra Israel.

Por outro lado, a rede do grupo terrorista Al-Qaeda lançou apelos aos seus seguidores para que atacassem alvos dos Estados Unidos, de Israel e dos seus aliados em todo o mundo.

Um comunicado publicado hoje no As-Sahab, órgão da Al-Qaeda, apelava à jihad (guerra santa) e descrevia os Estados Unidos como opressor dos muçulmanos.

Neste contexto, a atenção estava virada hoje de manhã para a Cidade Velha de Jerusalém, onde fica o complexo da Mesquita de Al-Aqsa, o terceiro mais importante local de culto muçulmano, e que está construída em cima do mais importante local sagrado do Judaísmo. Um dos muros exteriores do complexo da Mesquita de Al-Aqsa é o mais sagrado local de oração para os judeus.

Esta sexta-feira, o imã em Al-Aqsa disse aos fiéis que a cidade vai "manter-se muçulmana e árabe".

Tudo o que queremos dos líderes árabes e muçulmanos é ação e não declarações de denúncia", disse o sheikh Yousef Abu Sneineh às cerca de 27 mil pessoas que assistiam à prédica.

Cerca de 2.000 destes fiéis juntaram-se depois na esplanada em volta da mesquita, a cantar: "Defenderemos Al-Aqsa e Jerusalém com o nosso sangue e a nossa alma".