A aproximação de Macau da tempestade tropical Pakhar levou as autoridades macaenses a hastear o sinal 3 de alerta e a cancelar ou suspender mais de 60 voos e 20 ligações marítimas.

O Aeroporto Internacional de Macau cancelou 65 voos com partida ou chegada previstas para domingo, informa um comunicado.

A aproximação do tufão Pakhar tinha, até às 21:00 locais de sábado (14:00 em Lisboa), obrigado também à suspensão de pelo menos 24 ligações marítimas de e para Macau, de acordo com informação disponibilizada na página de Internet de uma das operadoras do serviço.

Já na madrugada de domingo em Lisboa, os Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau hastearam o sinal 8 devido à aproximação do tufão Pakhar, quatro dias depois de outra tempestade tropical ter causado dez mortos e deixado um rasto de destruição na cidade.

O sinal 8 da escala de tempestade tropical, que mede a intensidade e distância de Macau é o penúltimo grau da escala meteorológica de tufões.

Significa que o centro da tempestade tropical está a aproximar-se, sendo possível o registo em Macau de vento entre 63 e 117 quilómetros por hora, com rajadas de cerca de 180 quilómetros por hora.

Voluntários limpam estragos

Ainda sob os efeitos do tufão Hato, o pior dos últimos 50 anos, seja a recolher lixo ou a distribuir comida e água, centenas de voluntários fazem “o que podem e o que não podem” pelo regresso à normalidade em Macau.

As zonas mais afetadas pelas inundações foram invadidas por verdadeiros ‘exércitos’ empenhados em remover as toneladas de lixo amontoado nas ruas, uma das principais prioridades, particularmente no sábado, dada a aproximação a Macau de uma nova tempestade tropical (Pakhar) que carrega consigo chuva e ventos.

A reportagem da agência Lusa encontrou Tsé Fung, um dos muitos jovens que trocou o refrescante conforto do ar condicionado em casa pelo intenso calor da Rua dos Ervanários, a poucos minutos a pé das Ruínas de S. Paulo, a principal atração turística de Macau.

A minha casa não foi afetada, mas este é o meu bairro, por isso, tinha de vir ajudar”, diz o estudante de 19 anos à agência Lusa, com a voz abafada pela máscara que usa a cobrir a boca e o nariz, como tantos outros, para não respirar o cheiro nauseabundo, durante uma pausa ao fim de seis horas consecutivas de labuta.

Sio, de 37 anos, que pôs mãos à obra na véspera, “faz o que pode e o que não pode” pela terra onde nasceu: “Se vês algo [como isto] tens de reagir”.

Não há recursos humanos suficientes para dar resposta a tudo”, lamenta, enquanto ajeita as luvas de borracha que vão até ao cotovelo.

As pessoas estão simplesmente a seguir os seus instintos porque não esperam – nem podem esperar – nada. Só se valem a si próprios”, sublinha, antes de voltar a pegar na vassoura.

Não muito longe andava Sandra Carrilho, de 45 anos, que também começou na sexta-feira a ajudar a remover o lixo, inserida num grupo que conheceu na véspera nestas andanças.

Hoje há imensa gente na rua”, compara, antes de fazer um ponto da situação: “Não se podia circular aqui, mas os voluntários limparam isto tudo e no Porto Interior, onde moro, o trabalho também foi excecional”.

As pessoas têm noção da gravidade, havia comida solta, dispersa na rua, daí o esforço enorme para se recolher todo o lixo até porque pode voltar a haver inundações”, observou.

Enquanto filas de dezenas de contentores aguardam vez para serem ‘tombados’ para o camião do lixo, chegam “reforços” sob a forma de carrinhas de caixa-aberta de particulares e empresas que estacionam ao lado de mobílias e eletrodomésticos sem salvação.

A onda de voluntariado não se cinge apenas à recolha de lixo, havendo também muita gente a distribuir comida e água, seja em grupos organizados ou, simplesmente, formados espontaneamente.