O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, disse esta sexta-feira, em Paris, que os países-membros do Grupo do Mediterrâneo (Med7) condicionam o apoio à Líbia à formação de um governo de união nacional.

«Se houver um governo de união nacional [líbio], vamos apoiá-lo, senão tomaremos outras disposições. Sublinhámos a que ponto esta questão líbia está ligada à questão de migrações ilegais, um tema que nos afeta a todos, a toda a Europa. Entre os meus colegas europeus, houve uma grande convergência sobre a necessidade de agir e agir rápido», declarou Laurent Fabius, no Ministério dos Negócios Estrangeiros francês.

As declarações foram feitas no final da segunda reunião informal de chefes da diplomacia do Grupo do Mediterrâneo, que reúne sete Estados-membros da União Europeia: além de Portugal, Espanha, França, Itália, Malta, Grécia e Chipre.

O chefe da diplomacia francesa acrescentou que «toda a gente está preocupada com a progressão terrorista», lembrando que «a Líbia é já aqui ao lado, a 300 ou 400 quilómetros».

«Há a ligação à questão das migrações ilegais. Preocupamo-nos primeiro com uma solução política, mas não somos cegos e vemos os riscos de uma extensão dos grupos terroristas.»


Relativamente ao conflito no leste da Ucrânia, Fabius indicou que o grupo está «de acordo em mostrar uma preocupação forte sobre a situação no terreno e em apelar para o respeito dos acordos de Minsk».

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês sublinhou, também, que a reunião serviu para falar «no potencial de cooperação e crescimento» entre os países que banham o Mediterrâneo, lembrando que «os trabalhos de hoje vão ser úteis e completados no mês de abril em Barcelona onde serão apresentadas iniciativas para o Mediterrâneo», em referência à reunião dos chefes da diplomacia dos 28 Estados-membros da União Europeia com homólogos de países a sul do Mediterrâneo, a 13 de abril.

No comunicado final da reunião do Med7, os pontos principais a ter em consideração no encontro de Barcelona são: «desenvolver um diálogo mais estreito entre as duas margens do Mediterrâneo», «colocar a juventude no seio das prioridades no Mediterrâneo» e «dar prioridade à luta contra as alterações climáticas, às questões energéticas e ambientais».

Sobre a Grécia, Laurent Fabius disse que «o Governo tem legitimidade» fruto do recente voto do povo helénico, vincando que a França quer «uma solução que permita à Grécia retomar o crescimento».

Em resposta, o chefe da diplomacia grega, Nikos Kotzias, explicou que a sua «filosofia é de otimismo» e que acredita no alcance de «um bom acordo em Bruxelas», lembrando que «o problema grego é também de toda a Europa» e que até hoje «toda a gente tirou proveito da história» grega.

Rui Machete também participou no encontro e  propôs aos homólogos do Grupo do Mediterrâneo (Med7), uma maior cooperação para evitar «infiltrações terroristas» no movimento migratório para a Europa. 

A primeira reunião do Med7, uma iniciativa de Espanha e do Chipre, decorreu em abril passado, na cidade espanhola de Alicante, durante a qual os ministros debateram o problema da imigração no Mediterrâneo.

Portugal copreside atualmente ao Processo de Cooperação do Mediterrâneo Ocidental, conhecido por Diálogo 5+5, que reúne cinco países do sul da Europa (Portugal, Espanha, França, Itália e Malta) e cinco países do norte de África (Marrocos, Mauritânia, Líbia, Argélia e Tunísia), um fórum que pretende também debater as relações entre a Europa e o norte de África.