O tapete da entrada da casa de infância do presidente dos Estados Unidos, em Nova Iorque, tem agora escrita a mensagem “Bem-vindos, refugiados”. Isto porque a vivenda, onde Donald Trump morou até aos quatro anos de idade, ganhou novos habitantes. Foi alugada, pela Oxfam, este fim-de-semana, a um grupo de refugiados, com o objetivo de deixar uma mensagem clara ao presidente dos Estados Unidos.

A casa construída pelo pai de Donald Trump, em 1940, no distrito de Queens, é agora uma das moradias disponíveis para alugar no Airbnb, com um preço de 725 dólares (cerca de 610 euros) por noite.

A Oxfam alugou a casa, no sábado, e convidou quatro refugiados a passar lá a noite. A organização internacional quis deixar a mensagem de que os refugiados são bem-vindos, depois de Donald Trump insistir na proibição da entrada de cidadãos de determinados países nos Estados Unidos.

Precisamos fazer o máximo que pudermos para apoiar os refugiados aqui e no exterior. Principalmente aqui, nos Estados Unidos, não estamos a fazer o suficiente e podemos fazer muito mais”, disse Isra Chaker, responsável pelas campanhas sobre refugiados da Oxfam América, citada pela CNN.

Na antiga casa da família Trump, ficaram hospedados refugiados da Síria, da Somália e do Vietname, que partilharam as suas experiências sobre como fugiram dos seus países e construíram uma nova vida nos Estados Unidos.

É o caso de Uyen Nguyen, que fugiu do Vietname quando tinha 10 anos de idade. Na viagem, perdeu a mãe, a irmã e o irmão mais novo. Lembra-se de chorar todos os dias, enquanto esteve no campo de refugiados, depois de perder os seus familiares.

Uyen Nguyen e o irmão mais velho foram os únicos que conseguiram chegar aos Estados Unidos. Agora, vivem com um tio, na cidade de La Quinta, no sul da Califórnia, e, com a ajuda dos colegas e professores, começam, finalmente, a sentir-se em casa.

Enquanto percorria a casa de infância de Donald Trump, a jovem viu uma cama e imaginou o presidente dos Estados Unidos deitado nela.

A imagem dele deitado na cama relembrou-me do ponto de partida básico da humanidade, isto é, todos queremos um teto sobre a nossa cabeça. Relembrou-me, realmente, que todos começamos no mesmo lugar”, disse, de acordo com a CNN.

Outra das refugiadas que passou o fim-de-semana na antiga casa de Trump foi Eiman Ali. Tem 22 anos e tinha apenas três quando chegou aos Estados Unidos vinda do Iémen, para onde os seus pais foram quando começou a guerra na Somália.

Eiman Ali lembra-se do atual presidente dos Estados Unidos como uma personagem divertida do programa “The Celebrity Apprentice”, mas acabou por mudar de opinião.

Ter algum que é contra a minha comunidade como presidente dos Estados Unidos é muito doloroso, porque eu investi muito neste país”, afirmou, citada pelo jornal The Independent.

Ghassan al-Chahada também faz parte do grupo. É sírio e chegou aos Estados Unidos em 2012, com a esposa e os seus três filhos.

Antes ter começado o conflito na Síria já tínhamos o sonho de vir para os Estados Unidos. Para nós foi um sonho tornado realidade”, explicou, de acordo com o The Independent.

O homem de 41 anos disse que sua vida mudou quando Trump assinou o decreto que proibiu as pessoas da Síria e de outros cinco países de entrarem nos Estados Unidos.

Eu tinha esperança de obter o visto e poder visitar o meu país. Contudo, desde que Trump foi eleito, não me atrevo. Não me atrevo a sair deste país e não conseguir voltar."