A justiça alemã condenou Oskar Groening, conhecido como o “contabilista de Auschwitz”, a quatro anos de prisão. Magistrados consideram o ex-funcionário do campo, agora com 94 anos de idade, cúmplice do assassinato de 300 mil pessoas, avança a Reuters. A sentença foi lida esta quarta-feira.

Oskar Groening não matou ninguém com as suas próprias mãos, enquanto trabalhou no campo de Auschwitz. No entanto, os procuradores do Ministério Público alegaram que a gestão das notas que eram retiradas aos judeus que chegavam ao campo, ajudou a sustentar um regime responsável por homicídios em massa.

No decorrer do julgamento, que começou em abril deste ano, Oskar Groening assumiu “ ter uma culpa moral” na morte de milhares de judeus. Pediu “perdão” às vítimas e considerou que cabia ao tribunal decidir se também tinha responsabilidade legal em relação aos crimes.

Até recentemente, a justiça alemã nunca considerou culpados os trabalhadores dos campos de concentração que não participaram de forma direta nas mortes. O caso de Oskar Groening teve outro desfecho e trouxe nova discussão sobre o assunto.

Enquanto esteve no campo de Auschwitz, Oskar Groening recolhia os bens dos judeus que ali chegavam. Acabava por participar num processo que resultava no envio direto de alguns prisioneiros para as câmaras de gás.

A acusação compreendia o período entre maio e julho de 1944. Nesses meses chegaram 425 mil judeus ao campo e 300 mil acabaram nas câmaras de gás.

Nem todos os alemães consideram que se justifica levar a tribunal ex-funcionários do regime nazi, todos de idades muito avançadas e muitos problemas de saúde, por crimes que cometeram há mais 70 anos.

No caso de Oskar Groening, o ministério público de Frankfurt já tinha renunciado a uma acusação no passado, mas os colegas de Hanôver tiveram outro entendimento.