O Governo venezuelano ordenou na sexta-feira que toda a estrutura da exposição «Bodies Revelead» (Corpos Revelados) sejam retirados do país nos próximos dias, avança a agência Lusa.

A medida das autoridades venezuelanas surge depois de o Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminais (CICPC, antiga Polícia Técnica Judiciária) verificar que os materiais colocados à mostra em Caracas eram partes humanas quimicamente conservadas.

«Decidimos revogar [a autorização] porque não são, como tinha declarado a empresa, peças de plástico, mas órgãos reais humanos», explica um comunicado divulgado na sexta-feira em Caracas.

Segundo o documento, a Evenpro, empresa que promovia a exposição, vai ser encerrada temporariamente e sancionada por não cumprir «as obrigações e condições sob as quais foram concedidas as autorizações de admissão temporária da exposição».

A exposição, que tinha sido encerrada por oficiais do Serviço Nacional Integrado de Administração Alfandegária e Tributária (SENIAT) e do CICPC, foi criticada no último domingo pelo Presidente Hugo Chávez que proibiu a sua realização e ordenou fossem confiscados todas as partes da mesma, 13 corpos e 219 órgãos.

Exposição é «reflexo da decomposição do mundo»

Hugo Chávez chegou mesmo a definir a exposição como «algo macabro» que atribuiu ao «reflexo da decomposição do mundo».

A direcção da Evenpro alegou que «era só arte», que estava orgulhosa de trazer a exposição a Caracas, porque contribui de maneira importante para o conhecimento profundo do funcionamento real do corpo humano e porque estava concebida para ser educativa e científica.

«É como fazer um curso amplo de biologia e anatomia em duas horas», explicou a empresa num comunicado.

Segundo a Evenpro, a exposição foi exibida em mais de 35 países, entre eles Portugal e o Brasil e foi vista por mais de 15 milhões de pessoas. Em Caracas esteve aberta ao público apenas durante quatro dias.

«Todos os corpos ou especímenes e os órgãos que da exposição passaram por um processo de preservação com base em polímeros que mudaram completamente a sua natureza química, transformando-os num modelo humano preservado em plástico, inerte e não daninho», vincou a empresa.