A batalha contra a hepatite B, que mata 650.000 pessoas por ano no mundo, pode ser ganha dentro de 10 a 20 anos, afirmou esta quinta-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS).

«Serão precisos 10 a 20 anos para que possamos esperar eliminar a hepatite B», declarou o médico Gottfried Hirnschall, diretor do departamento VIH/SIDA na OMS, na divulgação das primeiras orientações sobre o tratamento da doença.

Cerca de 240 milhões de pessoas têm hepatite B, uma infeção viral que se transmite através do sangue e de outros líquidos biológicos e que expõe os doentes a um significativo risco de morte por cirrose ou cancro do fígado.

A hepatite B afeta sobretudo as pessoas dos países de rendimentos baixos e médios, nomeadamente na África Ocidental (prevalência de mais de oito por cento) e na Ásia Oriental (prevalência entre cinco a oito por cento), onde é transmitida geralmente à nascença.

Nos países mais ricos (prevalência inferior a dois por cento), a transmissão sexual e a utilização de agulhas contaminadas são os principais meios de contaminação.

Existe uma vacina contra a doença considerada muito eficaz e vários tratamentos para evitar que os que têm o vírus desenvolvam uma cirrose ou cancro do fígado. Ainda assim, 650.000 pessoas morrem anualmente de hepatite B.

Muitos dos infetados não sabem que têm o vírus devido à ausência de sintomas, explicou o chefe do programa mundial contra a hepatite da OMS, Stefan Wiktor, referindo ainda o número insuficiente de laboratórios capazes de fazerem os testes de rastreio ou as dificuldades de acesso aos tratamentos.

«Dispomos dos instrumentos (…) Só precisamos de agir», disse.

A OMS recomenda a utilização de dois medicamentos para o tratamento da doença, seguros e muito eficazes, o tenofovir e o entecavir, já disponíveis em numerosos países sob a forma de genéricos.

Recomenda igualmente um controlo regular dos pacientes para avaliar se o tratamento funciona e para o rastreio precoce do cancro do fígado.

A agência da ONU sublinha ainda a importância da prevenção, recomendando a vacinação de todas as crianças contra a hepatite B, com a tomada da primeira dose à nascença.