O Estado federal norte-americano poderá ficar parcialmente paralisado, deixando centenas de milhares de funcionários com os salários congelados. Este é o cenário temido, caso o Senado não consiga aprovar até à meia-noite desta sexta-feira um acordo de orçamento provisório. Devido ao impasse, o Presidente Trump desistiu de viajar - como costuma fazer aos fins-de-semana - para o seu resort na Florida.

A maioria republicana na câmara alta do Congresso dos EUA (o Senado), a oposição democrata e a Casa Branca trabalhavam durante a tarde de hoje num possível acordo sobre o financiamento do Estado. O Senado tem até à meia-noite de hoje (05:00 de sábado em Lisboa) para aprovar uma extensão do orçamento por quatro semanas, até 16 de fevereiro.

Para tal, precisa de um mínimo de 60 votos (em 100 senadores). Como os Republicanos apenas têm 51 assentos no Senado, vão precisar de votos dos Democratas, atualmente empenhados em tentar fazer trocas de apoios para salvar o programa que protege da deportação os jovens indocumentados que chegaram ilegalmente aos EUA com os seus pais, o DACA (criado pelo antigo Presidente, Barack Obama, mas que o Presidente Donald Trump disse querer rasgar).

Enquanto não se chega a acordo, os funcionários considerados "não essenciais" deverão ficar em casa, tal como aconteceu no anterior shutdown, em outubro de 2013, que durou 16 dias.

De acordo com a federação americana dos funcionários governamentais (AFGE), mais de 850 mil pessoas arriscam o "desemprego técnico" e mais de um milhão de outras poderão vir a trabalhar sem receber. No total, mais de 3,5 milhões de empregados civis e militares serão afetados, segundo dados oficiais.

O vice-Presidente Mike Pence mantém os planos de seguir em viagem para o Médio Oriente, uma viagem oficial que já tinha adiado após o polémico reconhecimento por parte dos EUA de Jerusalém como capital de Israel, em dezembro.

Apesar da ameaça de bloqueio federal, um porta-voz de Pence disse que a viagem do vice-Presidente ao Egito, à Jordânia e a Israel mantêm-se tal como tinha sido previsto, uma vez que é "essencial" para a segurança nacional e diplomacia dos Estados Unidos.