O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apontou esta terça-feira o dedo aos primeiros-ministros britânico e italiano, considerando que ambos estão a enganar os cidadãos.

«Não gostei da forma como alguns primeiros-ministros se comportaram depois da cimeira», disse Juncker, referindo-se a David Cameron e a Matteo Renzi, numa audição no Parlamento Europeu sobre os resultados da última reunião dos líderes europeus.

O novo presidente da CE adiantou, segundo a France Press, que tomou notas durante a cimeira que mostram que «o que foi dito na sala e lá fora não coincide».

Acrescentou, ainda, que advertiu Renzi de que não é «chefe de um bando de burocratas», mas sim o presidente da Comissão Europeia, «uma instituição política, e eu quero que os primeiros-ministros atendam a essa instituição». Disse, até, que se ex-presidente da Comissão, Durão Barroso, tivesse escutado burocratas, «o orçamento da Itália teria sido tratado maneira totalmente diferente».

Isto a propósito das críticas de Renzi à Comissão cessante, depois de ter receber uma carta de Bruxelas a apontar um «desvio substancial» do orçamento italiano em relação às regras fiscais europeias, pedindo a Roma que propusesse soluções. O governo italiano acabou por rever as suas contas, adicionando um esforço de cerca de 4,5 mil milhões no ajustamento.

Quanto a Cameron, que já disse que não ia dar mais dinheiro para o orçamento europeu, o atual líder da CE disse que «este não é um problema britânico, é um problema para toda a União Europeia, e temos de encontrar uma resposta global». «O impacto é maior para o orçamento de alguns Estados do que para o Reino Unido», argumentou. 

O Reino Unido foi chamado a contribuir com 2,1 mil milhões de euros, sendo que as contribuições nacionais são calculadas em função do tamanho das economias. 

Jean-Claude Juncker quis frisar que as cimeiras europeias são criadas «para resolver problemas, não para amplificar» problemas.