Foi um golpe nas pretensões dos Estados Unidos da América (EUA) e dos seus aliados. Esta quinta-feira, no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) a Rússia bloqueou um projeto de resolução norte-americano, destinado a prolongar uma investigação ao uso de armas químicas na Síria. 

O veto russo significa que o Mecanismo Conjunto de Investigação (MCI) - painel que descobriu que o governo da Síria e o autoproclamado Estado Islâmico usaram armas químicas naquele país - termina mesmo esta sexta-feira, data em que expira o mandato dos especialistas.

Para Nikki Haley, embaixador dos EUA na ONU, a mensagem de Moscovo não deixa dúvidas: "[a] Rússia aceita o uso de armas químicas na Síria". E teceu duras críticas, referindo que "o próximo ataque" deste género "estava nas suas mãos".

Esta foi a décima vez que a Rússia recorreu ao direito de veto, enquanto Membro Permanente do Conselho de Segurança, para travar resoluções na ONU em relação à Síria.

De acordo com o embaixador russo, Vassily Nebenzia, o MCI apresentava "falhas sistémicas extremas" e descreveu a forma como os especialistas investigavam como "uma anedota".

A reunião do Conselho de Segurança foi uma verdadeira frente de confronto. Enquanto os russos chumbaram a resolução dos EUA, houve uma proposta de Moscovo que também foi bloqueada. A Rússia pretendia rever a missão do painel de investigadores e congelar as conclusões do último relatório - que ligava o regime de Bashar al-Assad a um ataque com gás sarin.

Nebenzia acusou "alguns membros" de serem responsáveis "pelo fim da investigação". "Prova que a febre contra Damasco é a única prioridade para eles e que manipularam a investigação para coincidir com os seus interesses". 

Horas antes da votação, o Presidente dos EUA, Donald Trump, pediu ao Conselho de Segurança da ONU para prolongar a investigação, como maneira de garantir que "o regime de Assad nunca mais possa cometer assassinatos em massa com armas químicas".

Um pedido em nada compatível com a posição de Sergey Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, que antes da reunião, também acusara os investigadores de serem "parciais" e "politizados".