O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) apelou esta quarta-feira aos Estados membros para que encontrem novas formas da massificar as inovações produzidas localmente, visando permitir que milhões de crianças desfavorecidas tenham acesso a tais invenções.

Em nota divulgada por ocasião do 25º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, a agência da ONU considera que os países devem encontrar diferentes maneiras de «transpor as inovações à escala mais ampla», para «evitar que milhões de crianças sejam privadas das vantagens» daí decorrentes.

«É necessário agir com urgência para evitar que milhões de crianças sejam privadas das vantagens da inovação», lembra a UNICEF no seu relatório anual «A Situação Mundial da Infância – Re-imaginar o futuro: Inovação para todas as crianças».

O documento da agência da ONU para as crianças assinala que “a conectividade e a colaboração podem fomentar a criação de novas redes globais para tirar partido da inovação a fim de chegar a todas as crianças”.

O relatório apela «aos governos, aos profissionais da área do desenvolvimento, às empresas, aos ativistas e às comunidades para que trabalhem em conjunto no sentido de fazerem emergir novas ideias para ultrapassar alguns dos problemas mais prementes que as crianças enfrentam e encontrarem novas formas de transpor para uma escala mais ampla as iniciativas locais inovadoras e mais promissoras».

Citado no comunicado enviado à Lusa, o diretor executivo do UNICEF, Anthony Lake, considerou que «as desigualdades existem desde os primórdios da humanidade, e o mesmo acontece com a inovação, que foi sempre motor de progresso da humanidade». «Num mundo cada vez mais interligado, as soluções locais podem ter um impacto global e beneficiar as crianças em qualquer país do mundo onde continuam a ser diariamente confrontadas com desigualdades e injustiça», afirmou Anthony Lake.

O responsável defende que se repense a maneira como o mundo fomenta e alimenta novas ideias para resolver problemas antigos, visando permitir que todas as crianças possam beneficiar de soluções e projetos inovadores.

«As melhores soluções para os problemas mais difíceis com os quais nos debatemos não surgirão exclusivamente do topo para a base ou da base para o topo, ou de um grupo de países para outro. Elas virão através de novas redes de resolução de problemas e de comunidades de inovação que atravessam fronteiras e sectores muito diversos para chegar àqueles a quem é mais difícil chegar – e virão também dos próprios jovens, dos adolescentes e das crianças», disse Anthony Lake.

A Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Convenção sobre os Direitos da Criança em 1989, e, desde então, realizaram-se progressos para a concretização dos direitos da criança, nomeadamente com a diminuição acentuada das mortes de menores de cinco anos e o aumento do acesso à educação e a água potável.

Contudo, a UNICEF reconhece que «os direitos de milhões de crianças continuam a ser violados todos os dias - os 20% das crianças mais pobres do mundo têm duas vezes mais probabilidades de morrer antes dos cinco anos do que igual percentagem das crianças mais ricas; perto de uma em cada quatro crianças nos países menos desenvolvidos estão envolvidas em trabalho infantil; e milhões de crianças são regularmente vítimas de discriminação, violência física ou sexual e de abuso e negligência».

De acordo com a nota, «a última edição do relatório de referência da UNICEF defende que medidas inovadoras, como os sais de reidratação oral ou os alimentos terapêuticos prontos a usar, contribuíram para mudanças radicais na vida de milhões de crianças nos últimos 25 anos – e que é crucial dispor de mais produtos, processos e parcerias inovadores para que os direitos das crianças».