Um recorde de 137 mil pessoas atravessaram o Mediterrâneo no primeiro semestre do ano, a maioria das quais fugida de guerras, conflitos e perseguições, revelou esta quarta-feira o Alto-comissário para os Refugiados da ONU (ACNUR).

O valor traduz um aumento de 83% face aos primeiros seis meses de 2014.

“A Europa depara-se com uma crise de refugiados, que chegam por via marítima, de proporções históricas”, alerta o ACNUR.


A situação deverá piorar durante o verão, uma vez que o bom tempo deverá incentivar os traficantes a tentarem levar mais pessoas na perigosa travessia.

O Alto comissário, António Guterres, apela a uma resposta eficaz que evite mais mortes no Mediterrâneo, e garante que a maioria dos migrantes que chegam à Itália e Grécia saem dos seus países não por razões económicas, mas para fugir a conflitos armados.
 

“A maioria das pessoas que chegam por mar à Europa são refugiados, que procuram proteção da guerra e perseguições. Com as políticas corretas, e uma resposta operacional eficaz, é possível salvar mais vidas no mar. Para os milhares de refugiados e migrantes que continuam a atravessar o Mediterrâneo os riscos continuam bem reais.”


A Síria é o país de origem da maioria, com o Afeganistão e Eritreia a representar a segunda maior parte. A Somália, Nigéria, Iraque e Sudão são outros países de onde saem grande parte destes migrantes, todos países atualmente envolvidos em conflitos internos.