O presidente da Comissão Europeia felicitou, por carta, António Guterres pela sua nomeação para o cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Jean-Claude Juncker mostra-se “extremamente satisfeito” pela "escolha unânime" do português para sucessor de Ban Ki-moon. “Um enorme triunfo pessoal”, reconhece. Na carta, escrita em português, Juncker acrescentou à mão "meu querido amigo". 

No entanto, a emoção que deixa transparecer - já que até um coração colocou na assinatura (ver em baixo) - colide um pouco com as suas declarações e rumores recentes sobre quem apoiaria para secretário-geral da ONU.

Juncker negou interferências de Bruxelas na escolha no processo, mas circulou na imprensa a informação de que a candidatura de última hora de Kristalina Georgieva foi incentivada pelo próprio presidente da Comissão.

A verdade é que demorou quase um dia a reagir, depois de ontem o porta-voz da Comissão não ter querido tecer qualquer comentário.

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Em conferência de imprensa, o porta-voz da Comissão adiantou, ainda, que Juncker e Guterres tiveram "uma longa conversa telefónica" esta manhã. Ainda acrescentou:

[O Presidente] conhece-o [a Guterres] há 20 anos, quando eram ambos primeiros-ministros, e está muito feliz por ver um amigo pessoal tornar-se o próximo secretário-geral das Nações Unidas".

António Guterres e Jean-Claude Juncker em 2000 (Reuters)

 

Insistiu, igualmente, que "a Comissão não desempenhou qualquer papel" em todo este processo e que Juncker "está também feliz por ter a vice-presidente Kristalina Georgieva de regresso a Bruxelas".