A existência de cerca de 15 mil armas nucleares no mundo e a "perigosa retórica sobre a sua utilização" agravam as ameaças atuais, disse este domingo o secretário-geral da ONU.

Assim, o nosso sonho de um mundo livre de armas nucleares continua longe de ser uma realidade", sublinhou António Guterres numa mensagem por ocasião do 72º aniversário do bombardeamento atómico de Hiroshima (oeste do Japão), 6 de agosto de 1945.

 

"Os Estados que possuem armas nucleares têm uma responsabilidade especial e devem assumir passos concretos e irreversíveis para o desarmamento nuclear", alertou, na mesma mensagem lida pela sub-secretária geral da ONU e Alta representante para o desarmamento, a japonesa Izumi Nakamitsu.

No início de julho, mais de 120 assinaram o primeiro tratado da ONU que proíbe as armas nucleares. O documento não foi assinado pelas potências nucleares, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, Israel, China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte. O Japão também boicotou o tratado.

O português António Guterres lembrou ainda que os sobreviventes do bombardeamento atómico do Japão "enviam uma mensagem heróica ao mundo" e são a memória dos "devastadores efeitos destas armas".

A cerimónia decorreu no Parque da Paz, situado na zona sobre a qual explodiu a bomba nuclear, e começou às 08:15 (00:15 de domingo em Lisboa) com um minuto de silêncio.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, sublinhou a necessidade de as potências nucleares e os restantes países "se empenhem para conseguir um mundo verdadeiramente limpo de armas atómicas".

O Japão "está decidido a liderar a comunidade internacional, mantendo os princípios de não produzir ou possuir armas nucleares, nem de permitir a entrada em território nacional e pedindo a todos os países para tomar medidas idênticas", disse Abe.

Na cerimónia em Hiroshima participaram representantes de cerca de 80 países e da União Europeia, incluindo potências nucleares como o Reino Unido, França, Estados Unidos ou Rússia.

"O inferno não é uma coisa do passado"

O pedido de "nunca mais" repetido novamente, no 72º aniversário do bombardeamento atómico de Hiroshima, no Japão, ganhou este ano uma urgência renovada com os testes de mísseis da Coreia do Norte.

O "inferno não é uma coisa do passado", declarou o presidente de Hiroshima, Kazumi Matsui, na declaração de paz na cerimónia que assinalou o bombardeamento atómico da cidade pelos Estados Unidos, em 1945.

"Enquanto as armas nucleares existirem e os políticos ameaçarem usá-las, o horror que causam pode saltar para o nosso presente a qualquer momento", alertou o responsável, numa referência aos testes de mísseis norte-coreanos.

A humanidade não pode voltar a cometer tal ato", sublinhou Kazumi Matsui.

A 6 de agosto de 1945, às 08:15 locais, um bombardeiro B-29 norte-americano, o "Enola Gay", largava sobre a cidade de Hiroshima a bomba atómica "Little Boy". Três dias mais tarde, a 9 de agosto, um segundo engenho atómico "Fat Man" explodia sobre Nagasaki, no sudoeste do país.

Em Hiroshima morreram 140 mil pessoas e em Nagasaki 70 mil. A 15 de agosto, o imperador japonês Hirohito aceitava a rendição incondicional e a Segunda Guerra Mundial chegava ao fim.