A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, pediu este sábado um acordo internacional para combater as alterações climáticas, no dia em que se assinala o 70.º aniversário da entrada em vigor da Carta das Nações Unidas.

“Na cimeira do clima de Paris, em dezembro, devemos dar o passo seguinte. As alterações climáticas estão a ter consequências desastrosas em muitos países e precisamos de um acordo internacional ambicioso e juridicamente vinculativo”, defendeu a responsável num comunicado hoje divulgado.

Federica Mogherini recordou que faz 70 anos que os representantes de 51 países ratificaram a Carta das Nações Unidas, que entrou em vigor a 24 de outubro de 1945, e agora 193 países são membros da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Conseguimos construir uma comunidade global de que de facto precisamos. Os desafios que enfrentamos são globais e uma governação mundial efetiva nunca foi tão crucial”, referiu.

A também vice-presidente da Comissão Europeia salientou que na União Europeia e na ONU nasceram “projetos para a paz, depois da pior guerra da história da humanidade”, mas que estas partilham mais do que o desejo de paz.

“Temos uma visão de futuro, promovemos uma agenda global positiva que trabalhe pela paz, o respeito dos direitos humanos e o desenvolvimento para todos, defendeu.

Federica Mogherini referiu ainda que a adoção este ano da agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável foi uma grande conquista e assegurou: “Toda a gente reconheceu que só podemos avançar se avançarmos juntos”.

Nós, os povos das Nações Unidas, decididos:

Portugal foi admitido como membro das Nações Unidas em sessão especial da Assembleia Geral realizada a 14 de Dezembro de 1955, no âmbito de um acordo entre os EUA e a então União Soviética.

A carta começa assim:

Nós, os povos das Nações Unidas, decididos:

a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra que por duas vezes, no espaço de uma vida humana, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade;

a reafirmar a nossa fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações, grandes e pequenas;

a estabelecer as condições necessárias à manutenção da justiça e do respeito das obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito internacional;

a promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de um conceito mais amplo de liberdade;

e para tais fins:

a praticar a tolerância e a viver em paz, uns com os outros, como bons vizinhos;

a unir as nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais;

a garantir, pela aceitação de princípios e a instituição de métodos, que a força armada não será usada, a não ser no interesse comum;

a empregar mecanismos internacionais para promover o progresso económico e social de todos os povos;

Resolvemos conjugar os nossos esforços para a consecução desses objectivos.

Em vista disso, os nossos respectivos governos, por intermédio dos seus representantes reunidos na cidade de São Francisco, depois de exibirem os seus plenos poderes, que foram achados em boa e devida forma, adoptaram a presente Carta das Nações Unidas e estabelecem, por meio dela, uma organização internacional que será conhecida pelo nome de Nações Unidas.