Uma investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) junto de refugiados do conflito no Iraque e Síria revela que o Estado Islâmico está a leiloar e escravizar mulheres e crianças que são capturadas durante ataques a aldeias e cidades dos dois países.

Segundo o Washington Post, que cita a representante especial da ONU para a violência sexual nos conflitos, Zainab Bangura, vários refugiados, que conseguiram escapar às mãos dos terroristas, falam de uma “institucionalização da violência sexual” e de brutalidades praticadas contra mulheres e crianças.

Bangura fala da venda, em leilões, de “virgens bonitas” às várias hierarquias do grupo terrorista, e da escravização das consideradas não atraentes. Os sheiks escolhem primeiro, seguidos dos emires e dos soldados. Cada um costuma levar três a quatro raparigas que guardam durante cerca de um mês, ou até se “fartarem” delas, devolvendo-as ao “mercado” logo depois.
 

“Depois de atacar uma aldeia, [o Estado Islâmico] divide as mulheres dos homens, executando os que tiverem 14 ou mais anos. As mulheres e mães são separadas; as raparigas são despidas, sujeitas a um teste de virgindade e avaliadas pelo tamanho do peito e beleza. As mais novas, e consideradas mais bonitas são vendidas por preços mais altos e enviadas para Ragga, a base do EI”, disse Bangura.


A representante relata o caso de uma jovem que foi comprada e vendida 22 vezes antes de conseguir escapar aos terroristas. O último comprador chegou a escrever o seu nome na palma da mão da jovem, como marca de “propriedade”.

Bangura conta, ainda, um caso extremo de uma jovem queimada viva, depois e se recusar a participar num “ato sexual extremo”.

“Eles praticam violações, escravidão sexual, prostituição forçada e outros actos de violência extrema. Ouvimos um caso de uma jovem de 20 anos que foi queimada viva porque se recusou a participar num ato sexual extremo. Ouvimos relatos de outros casos do mesmo género. Não entendemos a mentalidade das pessoas que cometem estes crimes", disse.

Segundo várias estimativas, o grupo terrorista terá escravizadas entre 3.000 a 5.000 mulheres. Muitas são Yazidis, uma minoria considerada pelo EI como infiel, e são sujeitas a maior violência.

Bangura que já trabalhou em países como a Bósnia, Congo e Sudão do Sul, diz nunca ter visto nada igual.
 

“Foi muito doloroso [ouvir os relatos]. Já trabalhei na Bósnia, Congo, Sudão do Sul, Somália e República Centro-Africana [e] nunca vi nada assim. Não entendo esta falta de humanidade”, acrescentou.