A epidemia do ébola pode terminar já em agosto deste ano, prevê o chefe para a missão da ONU contra o Ébola (UNMEER, singla em inglês), Ismail Ould Cheikh Ahmed.

O flagelo já fez 10 mil mortos desde que foi declarado oficialmente pela Organização Mundial de Saúde, há um ano.

O responsável admitiu que parte da expansão do vírus foi responsabilidade da «arrogância» e da falta de conhecimento, mas garante que o ébola desaparecerá antes do final do verão.

«[Quando o vírus apareceu] houve, provavelmente, falta de conhecimento e um certo nível de arrogância, mas penso que estamos a aprender lições. Temos evitado falar em uma data específica [para o fim da epidemia], mas estou confiante que desaparecerá durante o verão», disse à BBC.

Já Henry Gray, coordenador de emergências dos Médicos Sem Fronteiras, só lamenta não ter sido levado a sério quando alertou para o desenvolvimento da epidemia em março e abril de 2014. Gray garante que se tivessem sido tomadas precauções, a doença não teria causado tantas mortes.

«Todos tivemos noção que esta [epidemia] era algo diferente em março e abril do ano passado, e tentámos chamar a atenção da OMS e dos governos dos países afetados. Claro que foi frustrante que não nos tenham ouvido, o que provavelmente levou ao nível de epidemia que vemos hoje», disse Gray.


A entidade estima que em agosto de 2014 os centros de tratamento da Libéria já estivessem sobrecarregados. Foi em janeiro de 2015 a Organização Mundial de Saúde admitiu que era tarde demais para responder eficazmente à epidemia.

«O mundo, incluindo a OMS, foi demasiado lento a aperceber-se do que estava a acontecer», disse na altura a diretora geral da organização, Margaret Chan.

A primeira pessoa a morrer neste surto de ébola foi uma criança de um lugar remoto da Guiné, em dezembro de 2013. Apenas três meses depois foi declarada a epidemia, mas demorou outros cinco até que a OMS declarasse «emergência de saúde pública de carácter mundial», altura que mais de 1000 pessoas já tinham sucumbido à doença.