Um novo relatório da ONU a ser lançado em outubro refere que os Estados-membros da CPLP com graves crises alimentares deram «passos significativos» na redução da fome no último ano, disse à Lusa o representante da FAO em Portugal.

De acordo com o representante da agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em Lisboa e junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Hélder Muteia, o documento que vai ser brevemente publicado assinala «evolução em quase todos os países da CPLP que tinham grandes crises alimentares».

«O que nós notamos é que há um grande esforço dos países na redução de número de pessoas que passam fome e todos os países da CPLP conseguiram dar passos significativos», assegurou terça-feira o responsável, em declarações à Lusa, à margem de um encontro entre o candidato da Frelimo às eleições e a comunidade moçambicana em Lisboa.

Dados da FAO indicam que cerca de 28 milhões de cidadãos residentes no espaço da CPLP na CPLP passam fome, pelo que, segundo o responsável, a agência da ONU pretende «acelerar mais o passo» no sentido de inverter o cenário.

«O número com que nos devemos comprometer é zero. Nós queremos e temos iniciativas no sentido de acelerar este processo. Naturalmente que há responsabilidade para cada família, comunidade, país e também compromissos internacionais no sentido de melhorar a cooperação e iniciativas de colaboração sul-sul para que possamos dar passos mais largos e mais significativos», afirmou à Lusa Hélder Muteia.

Na recente Cimeira de Díli, os chefes de Estado e de Governo da CPLP aprovaram uma resolução sobre a continuidade, até 2025, do tema segurança alimentar e nutricional na Agenda da CPLP, na qual reafirmam o seu compromisso com o reforço do direito humano à alimentação adequada nas políticas nacionais e comunitária.

Para reverter o quadro da fome no espaço lusófono, a FAO está a levar a cabo várias iniciativas, nomeadamente o incentivo à prática da agricultura urbana, tendo em conta que «o grande ritmo de urbanização de pessoas que não têm outras formas de subsistência», disse Hélder Muteia.

«A agricultura urbana é uma alternativa para estas pessoas que vivem nas cidades e que ao longo da sua vida só fizeram a agricultura, pelo que a poderão praticar no meio urbano sem prejudicar o ambiente e a sustentabilidade social e a convivência entre as pessoas», afirmou.