Agora é que são elas, será caso para dizer. A socialista búlgara e candidata Irina Bokova não está pelos ajustes e garante continuar "completamente comprometida" na eleição para o cargo de secretário-geral da ONU.

Grata a todos os que me apoiam e completamente comprometida em continuar a corrida para próxima secretária-geral", é a resposta de Bokova, através da rede Twitter, na conta da sua campanha, à decisão do governo búlgaro em apoiar agora a vice-presidente da Comissão Europeia, Kristalina Georgieva.

Irina Bokova tinha o apoio do anterior governo búlgaro, tal como ela, socialista. Agora, dados os resultados que obteve nas cinco votações já realizadas no Conselho de Segurança, o novo executivo prefere avançar com Georgieva. Que tem o apoio da chanceler alemã, Angela Merkel, e uma provável rejeição da Rússia.

Desistir, não obrigada!

Já depois de ser anunciado o apoio à nova candidata pelo primeiro ministro búlgaro, Boiko Borissov, de centro-direita, Irina Bokova reagiu a contragosto. Citada pela agência de notícias búlgara Novinite, considerou “indigno” que lhe seja pedido para abandonar a corrida ao cargo.

Mais. Diz que com uma segunda candidata do mesmo país, a “Bulgária será motivo de chacota”.

A intenção de se manter na corrida, mesmo após as cinco vitórias de António Guterres, nas cinco votações já realizadas no Conselho de Segurança, tinha já sido manifestada por Bokova, na terça-feira.

Não vejo razões para desistir. Nenhum dos outros candidatos, nem mesmo os que têm piores resultados, estão a fazê-lo porque a corrida continua”, afirmou a diretora-geral da UNESCO em entrevista ao jornal búlgaro 24 Chasa.

Nomeação aceite por Kristalina

Kristalina Georgieva, economista, vice-presidente da Comissão Europeia, já veio a público afirmar-se contente com o apoio do governo búlgaro e aceitar a nomeação para ser candidata ao cargo de secretária-geral da ONU.

Sinto-me profundamente honrada pela decisão do governo do meu país", escreveu Georgieva na sua conta no Twitter, acrescentando que, "após cuidada reflexão, decidi aceitar a nomeação".

A Comissão Europeia já anunciou que concedeu uma licença sem vencimento a Kristalina Georgieva, para que possa ser candidata ao cargo de secretária-geral da ONU.

Em Lisboa, António Guterres absteve-se de comentar a nova competidora. Já o Governo português garantiu que vai manter os seus esforços diplomáticos para apoiar a candidatura do ex.primeiro-ministro ao cargo.

A próxima votação no Conselho de Segurança, em que pela primeira vez serão destacados os vetos dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, está agendada para 5 de outubro.