O relatório dos peritos da ONU «vai concluir de forma inquestionável» sobre a utilização de armas químicas na Síria, disse esta sexta-feira o secretário-geral da ONU. Sem atribuir diretamente a responsabilidade ao regime sírio, Ban Ki-Moon acusou o Presidente Bashar al-Assad de ter «cometido numerosos crimes contra a Humanidade» e disse ainda estar «convencido que os responsáveis vão prestar contas quando tudo estiver terminado».

O secretário-geral referia-se ao relatório dos especialistas da ONU, liderados pelo sueco Ake Sellstrom, que investigaram no terreno as acusações de massacre com armas químicas, a 21 de agosto, perto de Damasco. O relatório deverá ser divulgado na segunda-feira, de acordo com círculos diplomáticos citados pela agência noticiosa AFP, e o mandato dos especialistas não prevê que designem os responsáveis pela utilização daquelas armas.

De acordo com a agência Reuters, o secretário-geral da ONU pretende apresentar o relatório ao Conselho de Segurança no final da manhã de segunda-feira. Ban Ki-Moon, que se dirigia aos jornalistas após uma reunião da ONU, ressalvou no entanto que ainda não recebeu o relatório.

«Penso que o relatório é esmagador e vai concluir de forma inquestionável que foram utilizadas armas químicas, mesmo que ainda não possa referi-lo publicamente antes de receber este relatório», declarou.

Embora o relatório de Sellstrom não vá fixar de forma explícita a culpa de um ou de outro lado, diplomatas afirmam que os factos registados poderão sugerir que lado da barricada é responsável nos dois anos e meio de guerra civil.

Os Estados Unidos e aliados acusam o regime sírio de ter cometido o massacre com armas químicas a 21 de agosto de 2013, e que terá provocado mais de 1.400 mortos.

Damasco desmente qualquer responsabilidade, enquanto a Rússia acusa os rebeldes sírios de terem utilizado o gás tóxico para comprometerem o regime e provocarem ataques ocidentais contra Damasco.