O mundo está a perder capacidade de prevenir conflitos e a falta de «liderança efetiva» levou à pior situação de deslocação de populações desde a Segunda Guerra Mundial, alertou esta terça-feira o Alto Comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres.

«Uma mega crise, a mega crise que atinge a Síria e o Iraque, assim como as novas e antigas crises que não acabam» criaram o problema, adiantou Guterres, durante a reunião anual dos embaixadores turcos em Ancara.

Mais de 13 milhões de pessoas foram deslocadas pelos conflitos na Síria e no Iraque, a crise no Sudão do Sul agravou-se e alargou-se ao vizinho Chade, a situação degradou-se na Líbia e há uma nova crise na Ucrânia, lembrou.

«Tudo isto mostra que a comunidade internacional perdeu em grande parte a sua capacidade de prevenir e resolver os conflitos», insistiu Guterres.


O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados considerou que se vive «num mundo onde a imprevisibilidade e a impunidade se tornaram as regras do jogo».

Um mundo onde «já não existe uma liderança eficaz», onde «os conflitos se multiplicam» e permanecem as crises antigas «tem consequências dramáticas em termos humanitários», disse António Guterres.

O responsável da ONU tinha anunciado em junho que o número de refugiados registados em todo o mundo tinha ultrapassado a barreira dos 50 milhões pela primeira vez desde 1945.

No seu discurso aos embaixadores, Guterres voltou a agradecer à Turquia, que acolhe oficialmente no seu território mais de 1,6 milhões de sírios.

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, lembrou que o seu país já gastou cinco mil milhões de dólares (4,2 mil milhões de euros) com o acolhimento daqueles refugiados, lamentando a modesta contribuição da comunidade internacional.